Fiz uma loucura hoje. Fui pra uma seletiva de um reality show. E agora que a euforia passou, eu me encontrei pensando que estou feliz.
É, to feliz. To num emprego que paga mal, mas que me permite ter liberdade pra faltar, não pegam no meu pé e eu trabalho só 4 horas por dia, o que é maravilhoso e compensa a pouca grana.
Pela primeira vez, estou dedicada a algo, um blog sobre novela que eu criei por acaso e senti repercussão. Saber que as pessoas se identificam com o que eu escrevo, comentam e compartilham, me dá um prazer enorme, me emociona de verdade. E o tema é simplesmente meu favorito. É fácil falar sobre.
Ter participado dessa maluquice, me fez conhecer um lado meu que francamente eu não gostei. Sim, fiquei confinada por algumas horas com câmeras ao meu redor e pessoas muito diferentes de mim. Só algumas horas e eu já entendi o quanto sou capaz de pirar no egocentrismo. Me coloquei numa bolha, assumi a vibe de estar ali pra me mostrar. E não adianta dizer que não sou assim, porque sou sim, mas não completamente.
Justamente agora que eu me convenci que não quero mais ser famosa, esse outro lado me jogou nessa arapuca doida. E eu vi! Eu vi como eu seria, eu senti. E odiei.
Eu to tranquila, eu to longe de confusão. E apesar do vazio que andava me assombrando há uns dias, eu consegui encontrar formas de preenchê-lo, meus métodos. Seja tomando rivotril pra dar uma pirada e dormir em paz, seja escrevendo cartas para estranhos e largando em lugares improváveis da cidade, seja me apegando em séries de TV, novelas, personagens, eu encontro meus modos de tapar o buraco. E quando olho em volta, eu tô bem!
É uma mania terrível tentar encontrar coisas que justifiquem minha infelicidade quando ela nem sequer existe. Estou bem, estou feliz e não quero voltar a buscar o que eu estava buscando.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Previously on Desperate Housewives
Eu menti. Pra mim mesma. O primeiro teste de "qual Desperate Housewife eu seria" deu Katherine. Ela nem tinha entrado na série ainda, então me recusei e fiz outra vez, manipulando minhas respostas.
Que surpresa descobrir que a Katherine é essa personagem que perde a cabeça por um amor não correspondido. Ainda não terminei a temporada, mas tudo indica que seu destino é a internação psiquiátrica.
Quão irônico é esse teste inocente que eu fiz?
A maioria das pessoas tem medo de ficar maluca. Eu não. Na verdade, desde a adolescência, sempre considerei a insanidade um presente. Tudo deixa de ser sua culpa. Você diz o que quiser, porque não precisa saber o que está dizendo. Passa a maior parte do tempo dopado e não pode trabalhar. O Estado é responsável por você. Cria amigos imaginários e modos completamente alternativos de encontrar felicidade.
Esse lance da felicidade tá complicado pra mim. É foda ser feliz. É foda focar nas coisas boas, ser grato por tudo que tem, ter esperança, se amar. E amar os outros, e acreditar e confiar que eles te amam de volta. É tão desgastante.
Ser maluco, ser sozinho, falar com seres imaginários, viver dentro de si mesmo é muito mais fácil. É muito mais leve. A sua própria morbidez, as suas próprias frustrações e a liberdade de não ter que ser normal, feliz. Não ter que levantar todos os dias acreditando que será um bom dia.
Eu já fui bem infeliz, e não sinto saudades daquela época. Eu gosto de estar bem, de reparar nas coisas ao meu redor, mas às vezes me canso. Às vezes eu sinto de novo aquela menina que adora a escuridão, que vê beleza e poesia na solidão. É como se eu andasse em círculos e vez ou outra parasse na melancolia. É como se eu só fosse real quando estou só, e muitas vezes, triste. Como se todas as vezes que eu sorrio para os meus amigos e bebo cerveja com eles, eu estivesse fingindo. É como se eu não pertencesse realmente a lugar nenhum, a nenhum deles.
A outra housewife, a que sabia que morreria jovem, também me causou impacto. E eu tenho medo da morte, tenho medo de como acontecerá, e não sei se é mesmo cedo pra ter esse medo.
Deus, como eu queria ser uma das quatro housewives, como eu queria não ter manipulado minhas respostas.
Que surpresa descobrir que a Katherine é essa personagem que perde a cabeça por um amor não correspondido. Ainda não terminei a temporada, mas tudo indica que seu destino é a internação psiquiátrica.
Quão irônico é esse teste inocente que eu fiz?
A maioria das pessoas tem medo de ficar maluca. Eu não. Na verdade, desde a adolescência, sempre considerei a insanidade um presente. Tudo deixa de ser sua culpa. Você diz o que quiser, porque não precisa saber o que está dizendo. Passa a maior parte do tempo dopado e não pode trabalhar. O Estado é responsável por você. Cria amigos imaginários e modos completamente alternativos de encontrar felicidade.
Esse lance da felicidade tá complicado pra mim. É foda ser feliz. É foda focar nas coisas boas, ser grato por tudo que tem, ter esperança, se amar. E amar os outros, e acreditar e confiar que eles te amam de volta. É tão desgastante.
Ser maluco, ser sozinho, falar com seres imaginários, viver dentro de si mesmo é muito mais fácil. É muito mais leve. A sua própria morbidez, as suas próprias frustrações e a liberdade de não ter que ser normal, feliz. Não ter que levantar todos os dias acreditando que será um bom dia.
Eu já fui bem infeliz, e não sinto saudades daquela época. Eu gosto de estar bem, de reparar nas coisas ao meu redor, mas às vezes me canso. Às vezes eu sinto de novo aquela menina que adora a escuridão, que vê beleza e poesia na solidão. É como se eu andasse em círculos e vez ou outra parasse na melancolia. É como se eu só fosse real quando estou só, e muitas vezes, triste. Como se todas as vezes que eu sorrio para os meus amigos e bebo cerveja com eles, eu estivesse fingindo. É como se eu não pertencesse realmente a lugar nenhum, a nenhum deles.
A outra housewife, a que sabia que morreria jovem, também me causou impacto. E eu tenho medo da morte, tenho medo de como acontecerá, e não sei se é mesmo cedo pra ter esse medo.
Deus, como eu queria ser uma das quatro housewives, como eu queria não ter manipulado minhas respostas.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Living in a nightmare
Eu sabia que podia mudar o cabelo quantas vezes quisesse, de nada adiantaria. Eu ainda me sentiria inferior.
Todos sabem o quanto é ruim a inveja, e quantas simpatias existem pra nos livrarmos do olho gordo alheio. Mas como tirar essa coisa de nós?
Eu sinto inveja, uma inveja horrível de gente que eu amo, e não sei como acabar com isso.
Quando achamos alguém igual a nós, mas que faz tudo melhor que nós, o que fazemos? Se a luz da pessoa é simplesmente mais forte que a sua, o que fazer?
Apagar-se?
No decorrer dos anos, eu fui me apagando. Bloqueei meu sonho de ser atriz. Bloqueei minha vida amorosa. Bloqueei minha vaidade, minha ambição. Como se não valesse a pena fazer o que já está sendo feito de maneira muito melhor.
Estou triste. Estou em outra fase de bloqueio. Acho que logo não dobrará nada de mim.
Vou arrumar um emprego, pois estou animada pra isso. É como eu me vejo agora. Alguém que precisa trabalhar.
Chega de brincar de artista, Ju.
Eu não consigo conviver com essa inveja, e já que ela é minha, eu que mate os meus próprios desejos.
Tenho amargura demais pra tentar entreter as pessoas. Não sou livre, nunca fui. E se essa é minha missão na Terra, então vou ter que voltar uma outra vez, porque nessa, eu não sou capaz.
Todos sabem o quanto é ruim a inveja, e quantas simpatias existem pra nos livrarmos do olho gordo alheio. Mas como tirar essa coisa de nós?
Eu sinto inveja, uma inveja horrível de gente que eu amo, e não sei como acabar com isso.
Quando achamos alguém igual a nós, mas que faz tudo melhor que nós, o que fazemos? Se a luz da pessoa é simplesmente mais forte que a sua, o que fazer?
Apagar-se?
No decorrer dos anos, eu fui me apagando. Bloqueei meu sonho de ser atriz. Bloqueei minha vida amorosa. Bloqueei minha vaidade, minha ambição. Como se não valesse a pena fazer o que já está sendo feito de maneira muito melhor.
Estou triste. Estou em outra fase de bloqueio. Acho que logo não dobrará nada de mim.
Vou arrumar um emprego, pois estou animada pra isso. É como eu me vejo agora. Alguém que precisa trabalhar.
Chega de brincar de artista, Ju.
Eu não consigo conviver com essa inveja, e já que ela é minha, eu que mate os meus próprios desejos.
Tenho amargura demais pra tentar entreter as pessoas. Não sou livre, nunca fui. E se essa é minha missão na Terra, então vou ter que voltar uma outra vez, porque nessa, eu não sou capaz.
domingo, 9 de agosto de 2015
Poesia
Há pouco me peguei pensando em sonhos, e logo, meu primeiro sonho.
Quando criança, criança mesmo, oito/nove anos, meu grande sonho era ser poetisa. Como eu amava aquilo. Muito antes de colecionar DVD's, mesmo antes de colecionar fotos da minha atriz favorita, eu colecionava poesias. Recortava todas dos livros de português quando acabava o ano e lia inúmeras vezes. Era meu maior prazer. Achava lindos os versos e os sentimentos das palavras, mesmo sendo tão pequena quase incapaz de entender o tamanho dos sentimentos reais.
Quando aprendi sobre a semana de arte moderna, tive certeza que estive nela. Sim! Na minha última vida. Eu era uma poetisa americana, famosa, muito boa. Estive no Brasil em decorrência do evento, e provavelmente, inventei que adoraria morar aqui. "Que na próxima vida, eu nasça nessa terra tão poética." Não me culpe, o Brasil de 1922, deveria parecer bastante inspirador.
O fato é que nasci aqui sim, e em nada me pareço com os brasileiros. Não gosto de samba, não gosto de arroz com feijão, não tenho suas músicas em meu iPod, apesar de considerar que existem algumas obras primas. Meu coração pode até ser daqui, mas minha alma é americana. E se em 1922 estive no Brasil, aos 22 dessa vida estive nos EUA. E como me senti em casa!
Cada dia me convenço mais de que é isso que preciso fazer: escrever. Resgatar a menina que via vida nos poemas, nas rimas. Resgatar a poetisa famosa que não tinha medo de expôr seus sentimentos.
Sinto que me afastei da escrita, da lua que me inspirava, da injustiça que punha em palavras. Sinto que verbalizei minhas velhas rimas.
Acho que é hora de voltar.
Quando criança, criança mesmo, oito/nove anos, meu grande sonho era ser poetisa. Como eu amava aquilo. Muito antes de colecionar DVD's, mesmo antes de colecionar fotos da minha atriz favorita, eu colecionava poesias. Recortava todas dos livros de português quando acabava o ano e lia inúmeras vezes. Era meu maior prazer. Achava lindos os versos e os sentimentos das palavras, mesmo sendo tão pequena quase incapaz de entender o tamanho dos sentimentos reais.
Quando aprendi sobre a semana de arte moderna, tive certeza que estive nela. Sim! Na minha última vida. Eu era uma poetisa americana, famosa, muito boa. Estive no Brasil em decorrência do evento, e provavelmente, inventei que adoraria morar aqui. "Que na próxima vida, eu nasça nessa terra tão poética." Não me culpe, o Brasil de 1922, deveria parecer bastante inspirador.
O fato é que nasci aqui sim, e em nada me pareço com os brasileiros. Não gosto de samba, não gosto de arroz com feijão, não tenho suas músicas em meu iPod, apesar de considerar que existem algumas obras primas. Meu coração pode até ser daqui, mas minha alma é americana. E se em 1922 estive no Brasil, aos 22 dessa vida estive nos EUA. E como me senti em casa!
Cada dia me convenço mais de que é isso que preciso fazer: escrever. Resgatar a menina que via vida nos poemas, nas rimas. Resgatar a poetisa famosa que não tinha medo de expôr seus sentimentos.
Sinto que me afastei da escrita, da lua que me inspirava, da injustiça que punha em palavras. Sinto que verbalizei minhas velhas rimas.
Acho que é hora de voltar.
domingo, 21 de junho de 2015
Ordinary
Estou me aproximando dos 23 anos como quem se aproxima dos 80, ou até mesmo 90.
Eu sinto como se não tivesse mais nenhum sonho, não por te-los realizados, mas por deixá-los morrer.
É estranho, pois sempre fui o tipo de pessoa que incentiva os sonhos dos outros e tento dizer a eles que tudo é possível, pensar positivo, pensar pra frente.
De repente fui tomada por essa onda de cinismo e derrota, como se não houvesse mais nada que realmente me impulsione, me dê vontade.
Cada dia tenho menos vaidade, vontade, inspiração, coragem. Acho que estou virando os outros.
To desistindo de ser cantora, ou qualquer outra coisa ligada a isso. E é bem esquisito essa nova perspectiva que me cobro com relação aos meus próprios ídolos. Agora eles não podem mais ser inspiração artística. Agora eu não posso mais me imaginar num palco lotado cantando alguma música da JLo. Estou me vetando, me escondendo, me censurando.
To me transformando em alguém ordinária.
Eu sinto como se não tivesse mais nenhum sonho, não por te-los realizados, mas por deixá-los morrer.
É estranho, pois sempre fui o tipo de pessoa que incentiva os sonhos dos outros e tento dizer a eles que tudo é possível, pensar positivo, pensar pra frente.
De repente fui tomada por essa onda de cinismo e derrota, como se não houvesse mais nada que realmente me impulsione, me dê vontade.
Cada dia tenho menos vaidade, vontade, inspiração, coragem. Acho que estou virando os outros.
To desistindo de ser cantora, ou qualquer outra coisa ligada a isso. E é bem esquisito essa nova perspectiva que me cobro com relação aos meus próprios ídolos. Agora eles não podem mais ser inspiração artística. Agora eu não posso mais me imaginar num palco lotado cantando alguma música da JLo. Estou me vetando, me escondendo, me censurando.
To me transformando em alguém ordinária.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Expectations
Eu queria continuar a conversa, mas agora não dava mais. Não estava tentando convencer ninguém a viver com suas expectativas, todo mundo sabe que elas são karma.
Eu tenho meus lamentos, meu ridículo jeito de me ver como vítima e então me sentir culpada por ser ridícula, e a culpa sucumbi a vitimização.
Eliminar as expectativas da minha vida é elminiar as expectativas de mim mesma, que já são baixíssimas. Se eu não esperar por milagres, pelo que esperaria? E se não esperar por nada, para que viver? Com a motivação da vida se não há expectativa? Eu não consigo! Eu não consigo achar resposta!
Acreditar que estou aqui pra nada. Já acredito, e todos os dias tento me convencer justamente do contrário, de que há sim um propósito.
É horrível viver, eu odeio e não acho que seja merecedora nem do ar que respiro, tamanha a dramaticidade com que encaro o simples ato de respirar.
Eu só queria dinheiro, só dinheiro. Pra eu esfregar na cara dos meus pais e faze-los parar de choramingar dívidas todo santo dia há 22 anos. Eu não aguento mais isso.
Eu queria ter dinheiro pra poder dizer à merda do país que eu consegui, mesmo sendo um lugar em que vivemos pra sermos miseráveis.
Eu queria ter dinheiro pra não ficar sonhando com amor, príncipes ou casamentos de luxo.
Eu só quero dinheiro! Dinheiro! Deitar no meu sofá e esperar a morte de jeito confortável.
Eu tenho meus lamentos, meu ridículo jeito de me ver como vítima e então me sentir culpada por ser ridícula, e a culpa sucumbi a vitimização.
Eliminar as expectativas da minha vida é elminiar as expectativas de mim mesma, que já são baixíssimas. Se eu não esperar por milagres, pelo que esperaria? E se não esperar por nada, para que viver? Com a motivação da vida se não há expectativa? Eu não consigo! Eu não consigo achar resposta!
Acreditar que estou aqui pra nada. Já acredito, e todos os dias tento me convencer justamente do contrário, de que há sim um propósito.
É horrível viver, eu odeio e não acho que seja merecedora nem do ar que respiro, tamanha a dramaticidade com que encaro o simples ato de respirar.
Eu só queria dinheiro, só dinheiro. Pra eu esfregar na cara dos meus pais e faze-los parar de choramingar dívidas todo santo dia há 22 anos. Eu não aguento mais isso.
Eu queria ter dinheiro pra poder dizer à merda do país que eu consegui, mesmo sendo um lugar em que vivemos pra sermos miseráveis.
Eu queria ter dinheiro pra não ficar sonhando com amor, príncipes ou casamentos de luxo.
Eu só quero dinheiro! Dinheiro! Deitar no meu sofá e esperar a morte de jeito confortável.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Me leva para sempre Beatriz
Queria dormir e acordar uma atriz consagrada de novela das oito. No auge da minha carreira, aos quarenta e poucos anos. Linda, bem casada, feliz, com amigos poetas, músicos, gente inteligente e rica como eu. Porque não tem graça ser rica e viver cercada de gente fútil, eu prefiro os artistas.
Eu interpretaria uma mãe de família endividada, incerta do futuro dos filhos, injustiçada pela desigualdade do país. Todos os meus problemas seriam fictícios. Eu seria feliz, bonita, adorada, distante de redes sociais e tecnologias que explorassem minha imagem gratuitamente.
Eu queria acordar do lado de lá da tela, do lado bom, onde todos são imortais e a vida é mais real do que aqui.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
1984
Passaram-se três dias desde a apresentação que fiz no Inferno Club. Não foi ruim, nem bom, creio eu... Talvez eu desse uns 4,5 de nota, quase na média 5.
Talvez eu seja muito exigente comigo mesma, ou só esteja tomando consciência da realidade agora.
A passagem de som estava marcada para as 21h. Eu cheguei pontualmente e assisti a passagem de som da banda que tocaria depois de mim. Era uma boa banda, a vocalista tinha um aparelho que muda a voz no microfone, coloca efeitos e ajuda a performance vocal dela. Eu não tinha nada disso, nem aparelho, nem banda. A casa tinha todos os equipamentos que a banda precisava, mas não tinha um computador onde eu pudesse colocar o meu pen drive com bases.
O produtor que me convidou para cantar e única pessoa que tinha um notebook, chegou às 23h30. Não havia mais tempo para eu passar som nenhum, teria que fazer na raça mesmo e arriscar o que desse.
Eu não estava tão nervosa assim. Eu fico nervosa quando já estou no palco e as reações variam.
É frustrante que ninguém se anime. Alguns olham, alguns conversam entre si, não interagem comigo.
No palco, eu fico ali pensando se sou forçada, ridícula, sem graça... Se estou incomodando. Mas esses pensamentos não me atrapalham, eu faço o que ensaiei e o que penso que deve ser feito.
Dessa vez chamei um menino ao palco, que conheci minutos antes do show. Ele sabia dançar Beyonce e estava desinibido. Foi uma ótima decisão! E dessas decisões rápidas, devo admitir que me orgulho. É meu mérito.
Havia pouca gente, bem pouca mesmo. Era uma sexta, uma casa de rock com uma festa pop, uns heteros super arrumadinhos e quase nenhum gay. Estava tudo meio indefinido e foi essa a sensação que tive no palco: indefinição.
No camarim, uma hora antes, estava sozinha. Era daqueles camarins de banda de rock dos anos 70, que a gente vê nos filmes. As paredes roxas, os sofás de couro rasgados, velhos. Um espelho minúsculo cheio de adesivos. Umas coisas quebradas e uma cruz invertida no teto.
Eu me olhava no pequeno espelho tentando entender como fui parar ali, o que eu estava buscando afinal, por que eu me metia nessas coisas? O que eu estou tentando fazer e quem eu penso que sou?
Inevitavelmente pensei na Madonna. No quanto ela era desrespeitada no início, como ela diz que inventou a roda. E eu ali, loura como nunca estive antes, olhos pretos bem marcados, uma blusa cropped e uma jaqueta jeans. Estaria repetindo a história? Será que eu tinha perdido a noção de vez?
Olhei pra parede e vi "1984". O ano do VMA. Madonna se esfregando no chão, ninguém entendendo o que ela estava fazendo. O ano em que ela começou a se tornar um mito. O despertar da Madonna.
Devia ter alguma explicação então. Devia ter algum motivo.
As aulas de canto estão me ajudando, porém eu acabei de começar. Minha boa secou novamente lá em cima, secou feio, como se eu estivesse sem água há meses. O microfone era ruim, estava bem detonado. O microfone bom estava guardado para a banda seguinte, aquela que usa aparelho para melhorar a voz. Eu não usava nada. Eu cantei à seco, na cara e coragem, sem ensaio, sem ninguém comigo no palco, sem banda pra me apoiar.
Não é fácil isso, gente. Eu juro que não é. Principalmente pra alguém tipicamente tímida como eu, e que havia passado nervoso horas antes aguardando uma resposta sobre a passagem de som.
Eu sabia que não iam me vaiar, eu já entendi que pra isso eu precisaria ser muito pior. Eu bato cabelo, rebolo e eles apoiam minha coragem ou simplesmente ignoram.
Eu não acho que o problema esteja no canto. Eu acho que mesmo que eu estivesse cantando muito bem, seria vista ainda com preconceito. Ainda não descobri exatamente porque. E não sei se quero descobrir.
Pensei muito, antes de entrar, e pensei mais ainda quando saí. Estou pensando ainda.
Sinceramente, eu pensava que o Brasil estava pronto para o pop. Mas talvez eu estivesse errada.
Estão aprendendo a aceitar o funk pop, mas ainda é uma vertente do funk. O pop, pop mesmo está morto por aqui, pelo preconceito.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Probably cuz my lies just started getting deeper
Estou um pouco melhor agora, apesar de serem quase 9h e eu ainda não ter começado a trabalhar.
A culpa me bateu hoje ao acordar. Por mais que tentemos fugir, uma hora a culpa nos alcança.
Se aqui fosse um confessionário, eu contaria agora todas as mentiras que inventei no último mês, pois não foram poucas e alguma são irreversíveis.
Menti pra sair do emprego, menti pra subverter a primeira mentira. Menti pro meu pai sobre ter me demitido, omiti a verdade. Disse que iria a uma entrevista e fiz o entrevistador vir de Taboão da Serra só por mim, mas desisti na última hora. Disse que iria a uma festa, minha própria festa de despedida que organizei, e não fui, pura e simplesmente por falta de consideração aos demais.
Estou deixando uma amiga num cargo que odeia e minha mãe sem a segurança do meu dinheiro, jogando tudo no meu irmão.
Acordei me sentindo a pior das criaturas. Com remorso, tristeza por estar enganando tanta gente.
"Também se ninguém se metesse na minha vida e eu fosse livre pra escolher minhas coisas, não precisaria disso tudo". Talvez eu seja livre sim, e por livre escolha, escolhi mentir.
Pareceu a melhor solução na hora. Tirar o meu da reta. Pareceu a pior solução depois de feito.
E por querer me livrar de um sentimento, acabei me livrando de todo mundo. Quis apagar todos, começar tudo outra vez.
Cair na real.
Não é isso que eu quero, nunca foi. Um emprego é ok, mas não é o que me traz felicidade e eu nunca vou me acostumar à rotina.
Queria rezar e pedir à Deus que me perdoasse pelo último mês e que me desse uma real oportunidade de tentar algo novo, algo que me motive, que me faça sentir viva. Mas me sinto envergonhada até para falar à Deus. Penso ter usado seu Santo Nome em vão várias vezes, e até mesmo ter caçoado da religião alheia.
Estou lotada de inveja e negatividade. Estou egoísta e nada caridosa, sem paciência com ninguém.
Vou mastigar bem a culpa e sentir bem o seu gosto amargo pra, pelo menos, tentar seguir em frente depois.
A culpa me bateu hoje ao acordar. Por mais que tentemos fugir, uma hora a culpa nos alcança.
Se aqui fosse um confessionário, eu contaria agora todas as mentiras que inventei no último mês, pois não foram poucas e alguma são irreversíveis.
Menti pra sair do emprego, menti pra subverter a primeira mentira. Menti pro meu pai sobre ter me demitido, omiti a verdade. Disse que iria a uma entrevista e fiz o entrevistador vir de Taboão da Serra só por mim, mas desisti na última hora. Disse que iria a uma festa, minha própria festa de despedida que organizei, e não fui, pura e simplesmente por falta de consideração aos demais.
Estou deixando uma amiga num cargo que odeia e minha mãe sem a segurança do meu dinheiro, jogando tudo no meu irmão.
Acordei me sentindo a pior das criaturas. Com remorso, tristeza por estar enganando tanta gente.
"Também se ninguém se metesse na minha vida e eu fosse livre pra escolher minhas coisas, não precisaria disso tudo". Talvez eu seja livre sim, e por livre escolha, escolhi mentir.
Pareceu a melhor solução na hora. Tirar o meu da reta. Pareceu a pior solução depois de feito.
E por querer me livrar de um sentimento, acabei me livrando de todo mundo. Quis apagar todos, começar tudo outra vez.
Cair na real.
Não é isso que eu quero, nunca foi. Um emprego é ok, mas não é o que me traz felicidade e eu nunca vou me acostumar à rotina.
Queria rezar e pedir à Deus que me perdoasse pelo último mês e que me desse uma real oportunidade de tentar algo novo, algo que me motive, que me faça sentir viva. Mas me sinto envergonhada até para falar à Deus. Penso ter usado seu Santo Nome em vão várias vezes, e até mesmo ter caçoado da religião alheia.
Estou lotada de inveja e negatividade. Estou egoísta e nada caridosa, sem paciência com ninguém.
Vou mastigar bem a culpa e sentir bem o seu gosto amargo pra, pelo menos, tentar seguir em frente depois.
Because I lied and I cheated and I lied a little more but after I did it I don't know what I did it for. I admit that I have been a little immature.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Mais ou menos
"Navegue em direção aos seus medos", dizia a placa que vi na rua hoje.
Mais ou menos, eu diria. Nado mais ou menos, conheço meus medos mais ou menos.
Sou alguém bem mais ou menos.
Mais ou menos, eu diria. Nado mais ou menos, conheço meus medos mais ou menos.
Sou alguém bem mais ou menos.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Souls in a ghosttown
Não estou muito bem hoje.
Tenho andado caminhos tortos e parece que o universo está
tentando me dizer algo que não consigo ouvir.
Ontem, pouco antes de dormir, assisti a um desses vídeos
fortes que a internet proporciona. Uma menina africana de oito anos dando banho
nos seus dois irmãos menores, que de tão desnutridos não tinham forças para
sentar. Os pequenos ficavam jogados na terra, enquanto a menina andava um
quilômetro atrás de uma bacia de água para lavar os dois.
Os cinegrafistas deram um pacote de bolachas para ela,
que mesmo faminta, serviu primeiro os irmãos e só depois parou para comer e
descansar um pouco.
São crianças, e estavam largadas como bichos, sem nada
que pudesse sustentá-los física ou emocionalmente. E ainda sim, eram boas e
puras, dependentes apenas do amor umas das outras.
Logo abaixo desse vídeo, havia outro compartilhado por
outra pessoa que não tem ligação nenhuma com o primeiro.
Tratava-se do depoimento de uma jovem sobre um áudio
que ela recebeu de uma amiga, que sonhara com a volta de Jesus. Ela, muito
impressionada, foi até a igreja pedir um sinal e ouviu três badaladas.
Obviamente o vídeo não tem o mesmo apelo emocional do primeiro, mas a jovem está
visivelmente transtornada. Seja real ou só mais alguém buscando atenção na
internet, é passível de reflexão. Pelo menos foi a mim, que assisti aos dois
vídeos em sequência.
Ao dormir, sonhei que eu estava cursando uma faculdade
sobre maçanetas, onde a professora pedia que cada aluno escolhesse sua favorita.
Eu segurava uma maçaneta enorme num formato de castiçal com velas apagadas. Só
era possível instalá-la na porta se as velas estivessem acesas e eu ainda não
tinha conhecimento para acendê-las.
Ainda no sonho, voltei para casa triste e, ao ligar o
computador, deparei-me com um perfil fake
repleto de fotos minhas, nua. Acordei.
Pensei que talvez estivesse gastando tempo demais na
internet, onde o ódio humano rola solto e ninguém é permitido de ter uma opinião.
Nas últimas semanas, bastou que eu comentasse qualquer coisa ou que apenas abrisse
os comentários de uma notícia qualquer ou mesmo uma página promovendo a música de
uma criança funkeira, para ver o ódio, o mais puro tipo de ódio escorrendo
entre as palavras.
Todos se odeiam. Todos pregam o ódio e a intolerância.
Saí de casa chateada. Pensando em tentar recuperar meu
emprego, por medo do que vem à frente. Subindo as escadas rolantes do metrô,
deparei-me com uma discussão idiota logo pela manhã. Um homem com uma mala
enorme tentava passar a catraca, gritando com quem estava na frente, com medo
de derrubar as pessoas que estavam logo atrás subindo. Uma mulher, por ele ter
gritado, pôs-se a gritar também, em tom de xenofobia. Ordenando que ele
voltasse para a terra dele, na Bahia. Foi uma discussão fútil, resultado da
intolerância absurda que vivemos atualmente.
Não muito atrás, há algumas semanas, testemunhei uma
briga no ônibus lotado, porque alguém havia esbarrado em alguém.
E assim caminha a humanidade... No mundo real ou virtual.
Às vezes parece que os bons se foram todos, ou
encontraram algum lugar que eu não consigo encontrar. Tenho pensado seriamente
em ir até a igreja tentar entender alguma coisa, e sempre que algo me
impulsiona para trás, outro me impulsiona para frente.
Tenho visto essas horas iguais e lido sobre o portal
11:11, que sinceramente não entendi nada. Um autor esteve aqui na semana
passada, jovem, sobrevivente de um acidente gravíssimo, relatando que Deus lhe
deu uma segunda chance, que Jesus vai voltar... Novamente, tem algo tentando me
dizer alguma coisa.
A minha data de nascimento, segundo a cabala, me define
como “gênio da humanidade”, com uma missão de zelar pelos seres humanos, e
justamente por acreditar nisso, tenho medo de me misturar a alguma religião que
não aceite o ser humano como ele é. Ao mesmo tempo em que tenho medo da falta
de humanidade existente nas pessoas, cada vez se propagando mais, como um vírus.
Medo é tudo que me resta agora, e essa ideia de que
preciso ouvir o que me está sendo dito. Preciso agir, ir além do pensamento. Só
não sei como. Estou numa cidade fantasma.
domingo, 19 de abril de 2015
É cedo ou tarde demais
Sometimes I sit staring at the window...
Tenho pensado muito. E isso nunca faz bem.
Tenho procurado um novo emprego pois me demiti do meu. Tenho gasto tempo com dezenas de aplicativos de relacionamento...
Mas a música não sai de mim, ela nunca sai de mim.
Comecei aulas de canto e dança. Isso me anima, adoro aprender, mas again, aquela sensação de "a porra ta ficando séria" me assombra.
Tenho uma apresentação marcada pra dia 22 de maio.
Eu não sei se gosto de me apresentar em balada, na verdade. Ainda não tive tempo pra descobrir. É uma adrenalina diferente, dá medo de verdade. Quando eu fazia sozinha, eu sabia onde estava pisando e quanto tempo eu tinha pra preparar tudo. Com outras pessoas envolvidas, é tudo muito diferente. E o publico de balada é tão diferente de mim. Se eu viro cinco noites por ano é muito. Eu não tenho a malícia da noite, mas me jogo nesse jogo controverso. Eu me coloco lá e me testo: "será que aguenta um palco? E que tal um palco maior? E que tal um público mais difícil? Can you handle it?"
I have a cage, it's called the stage.
O que pesa no meu cérebro é a fama. A que eu sempre busquei, busco e quero. Mas quando eu começo a sentir que realmente pode chegar, me assusta.
Eu me pergunto se sobreviveria ao lado cruel desse mundo. Gosto de ficar em casa e dormir todas as noites na minha cama quentinha. Comer sem me preocupar com estética e passar tardes de sábado com a minha mãe. Sempre fui a filha querida, superprotegida. E justamente porque conheci os dois lados de ser tão amada, entendo que tudo na vida tem um preço.
Tenho medo do lado obscuro e solitário que a fama pode trazer. Me pergunto se é cedo ou tarde demais, visto que não existe outra coisa que eu saiba fazer e que me desafie tanto. Visto que eu não enxergue outra solução de plenitude financeira.
Não sou uma boa designer e não penso que poderia ser. Não sou criativa com fontes, cores e texturas, pois não tenho muito interesse em ser. Não tenho um futuro promissor no quesito "relacionamento".
Às vezes parece que se eu abandonar o caminho que sigo há 10 anos, não existe outro caminho.
Talvez qualquer caminho me leve à solidão. A fama e o vazio juvenil. O anonimato e a solidão pré-morte.
Talvez com dinheiro, eu possa ajudar mais pessoas e dar um significado à minha vida.
Talvez eu deixe nas mãos de Deus e ouça o que Ele disser ao meu coração.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Nobody knows me
Tem vezes que eu queria ser qualquer pessoa que não fosse eu. Queria não gostar do que gosto, nem sonhar o que sonho, nem amar quem amo.
Queria ser uma menina bem normal, que veste roupa florida, faz depilação em salão e namora o mesmo cara há três anos. Queria ser mais loira, mais magra e mais doce.
Eu queria que meus amigos tivessem orgulho de mim e não que fizessem piada atrás de piada das coisas mais importantes da minha vida.
Queria descansar de mim, da minha imagem toda errada, da aprovação absurda que busco no mundo.
Descansar do cansaço que me dá flertar com meninos que estão tramando pra mim, cantar pra veados que estão cagando pra mim e me chamando de rainha diva com a maior falsidade venenosa que uma bicha má pode ter. Descansar do barulho que meu pai faz em casa e dos comentários maldosos que estranhos me mandam na internet com o único objetivo de me machucar, apesar de não me atingirem tanto quanto antes. Descansar da hipocrisia humana, da maldade que as pessoas amam cultivar em si mesmas. Dos homofóbicos, dos racistas, e dos homossexuais fãs de divas pop que, apesar de serem meu tipo favorito de gente, conseguem me desgastar com tanta reclamação sobre as pessoas que eles próprios admiram.
Que saco! Que saco tudo! Queria trocar todas as pessoas da minha vida, meu emprego, minha cidade, começar tudo de novo. Tocar violão e ser cantora de MPB pq só elas "merecem respeito".
Ou não, ser só alguém medíocre com um emprego medíocre e sonhos tão medíocres quanto os sonhos dos que me condenam.
Queria ser uma menina bem normal, que veste roupa florida, faz depilação em salão e namora o mesmo cara há três anos. Queria ser mais loira, mais magra e mais doce.
Eu queria que meus amigos tivessem orgulho de mim e não que fizessem piada atrás de piada das coisas mais importantes da minha vida.
Queria descansar de mim, da minha imagem toda errada, da aprovação absurda que busco no mundo.
Descansar do cansaço que me dá flertar com meninos que estão tramando pra mim, cantar pra veados que estão cagando pra mim e me chamando de rainha diva com a maior falsidade venenosa que uma bicha má pode ter. Descansar do barulho que meu pai faz em casa e dos comentários maldosos que estranhos me mandam na internet com o único objetivo de me machucar, apesar de não me atingirem tanto quanto antes. Descansar da hipocrisia humana, da maldade que as pessoas amam cultivar em si mesmas. Dos homofóbicos, dos racistas, e dos homossexuais fãs de divas pop que, apesar de serem meu tipo favorito de gente, conseguem me desgastar com tanta reclamação sobre as pessoas que eles próprios admiram.
Que saco! Que saco tudo! Queria trocar todas as pessoas da minha vida, meu emprego, minha cidade, começar tudo de novo. Tocar violão e ser cantora de MPB pq só elas "merecem respeito".
Ou não, ser só alguém medíocre com um emprego medíocre e sonhos tão medíocres quanto os sonhos dos que me condenam.
terça-feira, 17 de março de 2015
Work bitch
Se tem algo que me irrita é ser vista de cima a baixo como uma sem noção procurando fama. Principalmente quando esse tipo de olhar e comentário vêm de alguém que se diz amigo.
Se eu quisesse apenas aparecer, tiraria a roupa fora de qualquer contexto.
Mas não. E me incomoda essa falta de percepção das pessoas. Eu me dedico pra caralho pra fazer algo foda. Eu monto backdrop, instrumental, figurino, aprendo letra, coreografia e tudo que precisar num curto espaço de tempo. Me dá uma semana e eu eu passo sem dormir, ensaiando. Me dá dois dias e eu falto no trabalho se for preciso. Eu levo a sério! Eu levo a sério o respeito que tenho por qualquer pessoa que se disponha a me ler, ouvir, assistir. E fico indignada quando ainda insistem em dizer que eu só quero aparecer.
É muito mais do que isso. Sempre foi. Não é nem um pouco fácil subir num palco sabendo suas limitações. Eu mesma me espanto com a minha coragem. Cada apresentação é um ato de superação. A exposição é agridoce. E eu sou tímida, quieta, reservada na minha vida caseira.
O que me deixou bastante incomodada também no caso da apresentação que fiz para o fã-clube da Madonna foi não ter ganhado um mínimo "obrigado".
Em duas semanas me deram uma ideia seguida de outra ideia e mais ideias, jogando cargas e cargas em cima de mim. Começou com uma música, que virou duas, que virou performance com dançarinos, que virou performance com dançarinos e violinista, que virou história com figurinos e reconstituição de Brit Awards.
Eu tive que dividir meu tempo entre trabalhar, procurar figurino, ensaiar uma coreografia absurda pra poucos dias, encontrar a minha própria versão da música e montar backdrops.
Gastei mais de 200 reais e na verdade, não me importo com isso. O que me importa é a falta de cuidado e o amadorismo dos outros. É não terem checado se o espaço comportava esse tipo de evento. Se o som aguentaria voz e instrumental. Se as luzes funcionavam. Foi o atraso e o capricho. Eu topei todas as ideias que me deram e me matei pra executar todas com o máximo de cuidado possível, pra no final, a ambição desfundada de alguém transformar tudo em mediocridade. O capricho de apagar as luzes fez com que as pessoas não me vissem e nem ouvissem devido a péssima qualidade do som.
Mesmo assim, eu consegui. E esse mérito, preciso me dar. Eu fiz aquele povo se divertir, me aplaudir e até mesmo quem não gostou, ao menos deu risada.
O fã-clube além de ter me atrapalhado, ainda me deixou sozinha posteriormente na boate, sem a instrumental. Onde novamente, eu cruzei meus próprios limites.
Não divulgaram meu nome na página deles, como prometido. Não me deram um brinde sequer. Não postaram uma foto e ignoraram completamente as minhas duas apresentações.
Foi ofensivo e eu me senti usada.
De qualquer forma, valeu a pena. Sempre vale a pena quando se faz com amor e dedicação. Eu costumo esperar o pior, vaias, tomates e risadas, mas não teve nada disso. Ao contrário. E o mérito é meu sim, e isso ninguém vai me tirar.
Se eu quisesse apenas aparecer, tiraria a roupa fora de qualquer contexto.
Mas não. E me incomoda essa falta de percepção das pessoas. Eu me dedico pra caralho pra fazer algo foda. Eu monto backdrop, instrumental, figurino, aprendo letra, coreografia e tudo que precisar num curto espaço de tempo. Me dá uma semana e eu eu passo sem dormir, ensaiando. Me dá dois dias e eu falto no trabalho se for preciso. Eu levo a sério! Eu levo a sério o respeito que tenho por qualquer pessoa que se disponha a me ler, ouvir, assistir. E fico indignada quando ainda insistem em dizer que eu só quero aparecer.
É muito mais do que isso. Sempre foi. Não é nem um pouco fácil subir num palco sabendo suas limitações. Eu mesma me espanto com a minha coragem. Cada apresentação é um ato de superação. A exposição é agridoce. E eu sou tímida, quieta, reservada na minha vida caseira.
O que me deixou bastante incomodada também no caso da apresentação que fiz para o fã-clube da Madonna foi não ter ganhado um mínimo "obrigado".
Em duas semanas me deram uma ideia seguida de outra ideia e mais ideias, jogando cargas e cargas em cima de mim. Começou com uma música, que virou duas, que virou performance com dançarinos, que virou performance com dançarinos e violinista, que virou história com figurinos e reconstituição de Brit Awards.
Eu tive que dividir meu tempo entre trabalhar, procurar figurino, ensaiar uma coreografia absurda pra poucos dias, encontrar a minha própria versão da música e montar backdrops.
Gastei mais de 200 reais e na verdade, não me importo com isso. O que me importa é a falta de cuidado e o amadorismo dos outros. É não terem checado se o espaço comportava esse tipo de evento. Se o som aguentaria voz e instrumental. Se as luzes funcionavam. Foi o atraso e o capricho. Eu topei todas as ideias que me deram e me matei pra executar todas com o máximo de cuidado possível, pra no final, a ambição desfundada de alguém transformar tudo em mediocridade. O capricho de apagar as luzes fez com que as pessoas não me vissem e nem ouvissem devido a péssima qualidade do som.
Mesmo assim, eu consegui. E esse mérito, preciso me dar. Eu fiz aquele povo se divertir, me aplaudir e até mesmo quem não gostou, ao menos deu risada.
O fã-clube além de ter me atrapalhado, ainda me deixou sozinha posteriormente na boate, sem a instrumental. Onde novamente, eu cruzei meus próprios limites.
Não divulgaram meu nome na página deles, como prometido. Não me deram um brinde sequer. Não postaram uma foto e ignoraram completamente as minhas duas apresentações.
Foi ofensivo e eu me senti usada.
De qualquer forma, valeu a pena. Sempre vale a pena quando se faz com amor e dedicação. Eu costumo esperar o pior, vaias, tomates e risadas, mas não teve nada disso. Ao contrário. E o mérito é meu sim, e isso ninguém vai me tirar.
domingo, 15 de março de 2015
Tudo o que tiver que ser, será
Tão cansada que mal posso escrever.
Aconteceu mesmo, Eu cantei ao vivo. Cantei Madonna pros fãs da Madonna, depois cantei Madonna de novo numa boate acostumada a música ao vivo de qualidade.
Se eu dissesse que não pensei em desistir, mentiria. Pensei sim, ambas as vezes. Não estava nem um pouco segura, pelo contrário, tinha que me preocupar com coisas além da minha própria capacidade.
Tudo que poderiam fazer para dificultar, foi feito, Atrasos, falta de estrutura, e até uma falta de iluminação caprichosa surgiu pra me atrapalhar.
Eu entrei em ambos os palcos tendo ensaiado apenas uma vez em cada um.
A preocupação com a voz era iminente, visto que isso era algo que eu nunca tinha feito e que necessita preparo. Respiração, aquecimento, e eu em cinco minutos, tentava fazer tudo o que eu lembrava de vídeos de internet. Minha garganta secou de forma que eu mal conseguia respirar. O som baixo e abafado me impedia de ouvir tanto a instrumental quanto a mim mesma.
A platéia era difícil, mas eu os entendia. Se você promete uma puta performance, você tem que dar uma puta performance. Se eles entraram e viram telão, bailarinos, figurino e microfone, esperavam grandiosidade. Eu mesma me pus à prova quando aceitei que tudo isso fosse feito.
Mas estou satisfeita comigo. Eu dei a cara a tapa mesmo, e entreguei tudo de mim. No meio da apresentação, consegui envolver a plateia, que animada, cantava comigo. Aplaudiram e foram receptivos. Tirei muitas fotos e recebi muitos elogios. Pra uma primeira vez, foi mais positivo do que negativo.
Na balada, queria sair correndo. A estrutura era perfeita sim, mas eu estava claramente abaixo daquilo. Senti ser a maior das amadoras.
Entretanto, subi com a cara e coragem de novo. Disse meu nome e disse o que vim fazer, e cantei. Cantei, dancei, despiroquei. Senti mais apoio do que crítica, principalmente na música mais agitada. Um menino pediu pra tirar foto comigo depois dizendo que eu fui muito bem, então... Se cativei pelo menos um, tudo valeu a pena.
Começos são sempre difíceis, mas talvez a persistência nos ponha nos eixos corretos.
Se eu disser que sei o que estou fazendo... Não tenho a menor ideia. Eu nado conforme a maré. Descobrindo aos poucos o que gosto, o que quero, o que preciso melhorar e por que faço o que faço.
Aconteceu mesmo, Eu cantei ao vivo. Cantei Madonna pros fãs da Madonna, depois cantei Madonna de novo numa boate acostumada a música ao vivo de qualidade.
Se eu dissesse que não pensei em desistir, mentiria. Pensei sim, ambas as vezes. Não estava nem um pouco segura, pelo contrário, tinha que me preocupar com coisas além da minha própria capacidade.
Tudo que poderiam fazer para dificultar, foi feito, Atrasos, falta de estrutura, e até uma falta de iluminação caprichosa surgiu pra me atrapalhar.
Eu entrei em ambos os palcos tendo ensaiado apenas uma vez em cada um.
A preocupação com a voz era iminente, visto que isso era algo que eu nunca tinha feito e que necessita preparo. Respiração, aquecimento, e eu em cinco minutos, tentava fazer tudo o que eu lembrava de vídeos de internet. Minha garganta secou de forma que eu mal conseguia respirar. O som baixo e abafado me impedia de ouvir tanto a instrumental quanto a mim mesma.
A platéia era difícil, mas eu os entendia. Se você promete uma puta performance, você tem que dar uma puta performance. Se eles entraram e viram telão, bailarinos, figurino e microfone, esperavam grandiosidade. Eu mesma me pus à prova quando aceitei que tudo isso fosse feito.
Mas estou satisfeita comigo. Eu dei a cara a tapa mesmo, e entreguei tudo de mim. No meio da apresentação, consegui envolver a plateia, que animada, cantava comigo. Aplaudiram e foram receptivos. Tirei muitas fotos e recebi muitos elogios. Pra uma primeira vez, foi mais positivo do que negativo.
Na balada, queria sair correndo. A estrutura era perfeita sim, mas eu estava claramente abaixo daquilo. Senti ser a maior das amadoras.
Entretanto, subi com a cara e coragem de novo. Disse meu nome e disse o que vim fazer, e cantei. Cantei, dancei, despiroquei. Senti mais apoio do que crítica, principalmente na música mais agitada. Um menino pediu pra tirar foto comigo depois dizendo que eu fui muito bem, então... Se cativei pelo menos um, tudo valeu a pena.
Começos são sempre difíceis, mas talvez a persistência nos ponha nos eixos corretos.
Se eu disser que sei o que estou fazendo... Não tenho a menor ideia. Eu nado conforme a maré. Descobrindo aos poucos o que gosto, o que quero, o que preciso melhorar e por que faço o que faço.
segunda-feira, 9 de março de 2015
I'm not Madonna
Madonna is a pain in my ass.
Right now I'm going to work, writing on the way. Couldn't even wait to get there, cause I got A LOT to do on that place.
And I got A LOT to work on myself.
Madonna is a pain in everybody's asses. People want to transform every pop singer into a Madonna. And ironicly, right now, I've got her face on my shirt. Cause I was always the best student.
Right now I'm going to work, writing on the way. Couldn't even wait to get there, cause I got A LOT to do on that place.
And I got A LOT to work on myself.
Madonna is a pain in everybody's asses. People want to transform every pop singer into a Madonna. And ironicly, right now, I've got her face on my shirt. Cause I was always the best student.
Since I started following her steps, it seriously feels like I've been doing classes. She's got method. I read every single biography, watched every single interview, television performances, concerts, movies, kabbalah books. She's got a lot to teach and I was always interested in learning.
But right now, I'm on a moment in my life where I just want to be me, to find the performer inside me. But her fans invited me to sing her new single on the official release of her album. And of course, I would never reject an oppotunity like that.
So they hired dancers. Professional fucking incredible dancers. And I had one rehearsel to learn their steps and do it exactly like them.
I barely slept last night. I look like I went to a fucking war on a monday morning. And somehow I did. Had a fight with myself to find me inside of her, or to find her inside of me. To sing her goddam song without trying to be her. Even though their fans are seriously hoping I put on my best Madonna mask.
I've got four days to find the song inside of me, to understand my personality and adapt it to their steps and her moves, without trying to sound or look like her. It's a huge challenge. And I'm going crazy about it. Excited, not exactly afraid, but worried. I'm worried people notice I'm far behind the dancers and far behind a good vocal performance. I'm afraid I don't have star quality, something that catches the audience, "cruel ambition with no talent".
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Meu lugar
Minha casa tem uma energia tão baixa que eu senti minha pressão caindo assim que entrei.
É meu pai. Ele carrega ódio, ele faz questão de dizer que odeia alguém, que alimenta esse tipo de sentimento.
Eu queria que ele fosse nobre. Que fosse homem. Que lutasse por uma carreira, pelos sonhos dele, por nós.
Queria que ele fosse um exemplo e me desse presentes, como quando meu irmão nasceu e ele andou horas atrás de um boneco que eu queria só pra mostrar que eu também era amada.
Às vezes qualquer lugar é melhor que minha casa. Eu me sinto desrespeitada aqui, ninguém acredita em mim, debocham 24 horas, me dizem o que fazer e reclamam que eu sou chata pra comer.
Eu me sinto amada na casa de outras pessoas, quando me dão parabéns e mexem no meu cabelo. Aqui não, aqui não é meu lugar.
A triste verdade sobre minha família é que eu não gostaria de nenhum deles se os conhecesse por aí. Mas são minha família e o desafio é ver o melhor lado que cada um esconde e eu consigo ver, pois me esforço pra entendê-los, mas eles jamais se esforçaram por mim. Eles me deram uma personagem que eu sou obrigada a encarnar todos os dias e que só se desmancha a noite, sozinha em meu quarto, ou longe deles.
É meu pai. Ele carrega ódio, ele faz questão de dizer que odeia alguém, que alimenta esse tipo de sentimento.
Eu queria que ele fosse nobre. Que fosse homem. Que lutasse por uma carreira, pelos sonhos dele, por nós.
Queria que ele fosse um exemplo e me desse presentes, como quando meu irmão nasceu e ele andou horas atrás de um boneco que eu queria só pra mostrar que eu também era amada.
Às vezes qualquer lugar é melhor que minha casa. Eu me sinto desrespeitada aqui, ninguém acredita em mim, debocham 24 horas, me dizem o que fazer e reclamam que eu sou chata pra comer.
Eu me sinto amada na casa de outras pessoas, quando me dão parabéns e mexem no meu cabelo. Aqui não, aqui não é meu lugar.
A triste verdade sobre minha família é que eu não gostaria de nenhum deles se os conhecesse por aí. Mas são minha família e o desafio é ver o melhor lado que cada um esconde e eu consigo ver, pois me esforço pra entendê-los, mas eles jamais se esforçaram por mim. Eles me deram uma personagem que eu sou obrigada a encarnar todos os dias e que só se desmancha a noite, sozinha em meu quarto, ou longe deles.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Talvez
Talvez a minha maior obsessão pela fama, venha da enorme vontade que eu tenho de ajudar meus pais. Eu jamais poderei criar uma própria familia, marido e filhos, se antes não resolver a vida dos meus pais. Eu me sinto responsável por eles. E minha mãe está agora mesmo chateada, porque queria me levar pra passear enquanto estou de férias, mas não tem dinheiro. Isso me parte o coração. Desde criança, isso me parte o coração. Meu pai não. Meu pai me pede dinheiro o tempo inteiro, e passa mais da metade do tempo vendo bobagens na internet. Acho que em outra vida ele foi meu filho, e eu devo tê-lo mimado demais.
Eu poderia escolher qualquer carreira, mas desde cedo, percebi que o único modo de ter dinheiro de verdade, é trabalhando com entretenimento, é estando na TV.
Não pude estudar teatro, dança, canto ou instrumentos. Nunca tivemos dinheiro pra isso. Sempre havia algo mais importante pra comprar ou pagar. Meus pais sempre acharam que fosse um capricho meu, mas jamais, era tudo um grande plano de menina. Estudar pra estar na TV, e assim eu teria dinheiro para os meus pais, amor superficial do público, e a minha sonhada liberdade de escolha. Eu poderia trabalhar com o que gosto e então pensar em constituir minha própria familia.
Essa ideia nunca saiu da minha cabeça e a cada dia é mais fixa. O tempo passou, eu cresci e percebi q estava completamente certa. O Brasil acontece dentro da TV.
Eu poderia escolher qualquer carreira, mas desde cedo, percebi que o único modo de ter dinheiro de verdade, é trabalhando com entretenimento, é estando na TV.
Não pude estudar teatro, dança, canto ou instrumentos. Nunca tivemos dinheiro pra isso. Sempre havia algo mais importante pra comprar ou pagar. Meus pais sempre acharam que fosse um capricho meu, mas jamais, era tudo um grande plano de menina. Estudar pra estar na TV, e assim eu teria dinheiro para os meus pais, amor superficial do público, e a minha sonhada liberdade de escolha. Eu poderia trabalhar com o que gosto e então pensar em constituir minha própria familia.
Essa ideia nunca saiu da minha cabeça e a cada dia é mais fixa. O tempo passou, eu cresci e percebi q estava completamente certa. O Brasil acontece dentro da TV.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
And if it wasn't for the music, I don't know what I'd do
Estou cansada. Acordei cansada já. To de saco cheio de reclamar da falta de água, do preço da passagem, do desemprego da minha mãe, da exploração do meu pai, da porra do dólar e etc etc etc... Que saco! To cansada de mim. Não era com isso que eu deveria me preocupar. Era com um plano de carreira, com um coração partido, com viagens e amigos, bebedeiras, nova mensagem Tinder. Que porra fizeram com a porra do Brasil justamente agora que eu estou nos meus "melhores anos"? Gente chata cortando meu barato.
A música pop transformou-se na única coisa que ainda me dá esperança, que ainda me anima, que me encoraja. É sério. Ela deixou de ser um sonho e passou a ser a única forma de vida. Parece que a arte, apesar de ser o emprego mais abstrato, tornou-se meu único plano de futuro. Um futuro bom, feliz, próspero e maravilhoso.
Em contrapartida, eu, criada na bolha, estou terrivelmente assustada e morrendo de medo da exposição. Eu quero, ao mesmo tempo em que temo.
Por isso, estou tentando ser o mais transparente possível. Minha estratégia é seguir a estrada menos viajada. É não montar personagens. É expor a minha realidade, a minha forma caseira de fazer as coisas, o meu esforço e a minha personalidade. Minhas músicas falam da minha sexualidade, meus traumas, minha insegurança e meu lado comercial. Estou sendo sincera e considero essa a melhor estratégia, ao mesmo tempo em que pode atrair pessoas que se sintam da mesma forma, vulneráveis como eu, sonhadores.
Num cálculo parcial do que pode me expor ao ridículo, eu enxergo apenas a falta de técnica. E isso não é necessariamente um problema, visto que as pessoas se identificam muito mais com a imagem de um artista do que com a arte propriamente dita. Andei distribuindo algumas músicas em grupos de whatsapp, fãs de Anitta e fãs de Britney. O feedback foi completamente positivo, a ponto de uma pessoa me enviar composições e pedir pra ouvir mais canções, dizendo "ainda vou num show teu". Espero que ele esteja certo. Palavras têm poder.
Trabalhei bem nas músicas, agora preciso trabalhar melhor na imagem. Natural, sem ser sem graça. Elegante, mas jovial. Leve, ao mesmo tempo marcante. Uma mistura de Taylor Swift com Miley Cyrus.
Pode ser que eu eu estoure agora. O mercado pop está claramente aberto, e depois do fenômeno Anitta, as gravadoras se mostram desesperadas por artistas do mesmo nicho. Até o momento, não apareceu ninguém que pudesse competir diretamente com ela. Ela domina sozinha. E eu sei que na hora que uma concorrente surgir, ela será ainda mais aclamada. É difícil.
Sei também que tenho competência para tanto, visto que nós duas somos extremamente iguais no modo de pensar, sonhar e trabalhar.
E justamente por me identificar demais com ela, é que estou seguindo o caminho contrário. Duas artistas idênticas não convivem, não tem graça, vide Madonna e Cindy Lauper.
Pode ser que eu não estoure ainda. Pode ser que eu precise de mais técnica, de mais tino comercial, de mais novidades pra cativar algum público, pra convencer as gravadoras e a mim mesma de que estou pronta. Mas isso só Deus e o tempo poderão dizer.
De qualquer forma, estou preparada pra seguir em frente, sempre. Percebo minha evolução e tenho orgulho de trabalhar pra que ela aconteça. Um dia minha estrela brilha.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Amém
Sempre tive essa sensação horrivelmente horrorosa de que morreria cedo. E sempre tive medo de registrar isso em escrita. Parece que quando registramos a coisa, os anjos leem, o universo absorve... Mas hoje, registro.
A gente não escolhe, afinal. Podemos ser bons enquanto estamos em Terra, tentar nos importar com as jornadas alheias. Porque eu acredito nessa ideia de que estamos mesmo conectados, todos, e que precisamos uns dos outros pra cumprir algum tipo de missão.
Queria que todas as pessoas a minha volta entendessem isso. Que soubessem manter a calma caso minha teoria fosse verdadeira, mas eu sei que nunca o fariam. Minha família é grudada, é mais que unida, é colada, é dependente de mim. E me aterroriza mais a ideia de deixá-los sozinhos do que a ideia da própria partida em si.
Não sei porque estou escrevendo isso... Espero sinceramente que esteja errada. Tenho muita vontade de viver, tanto quanto tinha de morrer uns anos atrás. Queria muito amar e ser correspondida uma vez, só pra ver como é. Queria ajudar mais as pessoas, queria mesmo, e vou tentar. Podemos controlar tudo, tudo, e eu sei que posso ter tudo que julgam impossível. Só não podemos controlar as pessoas, e justamente elas é que definem nossa passagem pela vida.
É que sabe... a violência está tão grande, a água está tão rara e o governo machuca. O governo machuca de uma forma que chega a ser tortura física. É como se todos os seus sonhos fossem devorados por eles, como se jamais permitissem que você alcançasse algo, e quando pensa que está alcançando, eles te jogam da escada. Eles deveriam ajudar, mas o poder monetário os cega a ponto de não enxergarem ninguém.
Ainda bem que acredito na justiça divina.
De qualquer forma, o universo sempre foi maravilhoso pra mim, e justamente essa realização frequente de sonhos me impulsiona a acreditar que não tenho tanto tempo...
Quanto mais rápido se aprende, mais rápido se vai. Mas eu ainda tenho alguma missão com meu pai, que não sei se será cumprida em vida ou só quando ele me perder. Ele não tem a menor ideia e a alma dele me parece jovem demais pra entender. Creio que em outras vidas, ele possa ter sido meu filho. Ele não busca nenhum tipo de evolução, nenhum. E isso o atrasa, e eu sei, mas só saber não adianta, eu não consigo mudá-lo e já faz muito, mas muito tempo que desisti dele.
Enfim, de qualquer forma, estou à disposição divina, e mesmo sabendo que o aprendizado pode me tirar mais cedo dessa aventura tão linda chamada vida, insisto na evolução espiritual.
Amém.
A gente não escolhe, afinal. Podemos ser bons enquanto estamos em Terra, tentar nos importar com as jornadas alheias. Porque eu acredito nessa ideia de que estamos mesmo conectados, todos, e que precisamos uns dos outros pra cumprir algum tipo de missão.
Queria que todas as pessoas a minha volta entendessem isso. Que soubessem manter a calma caso minha teoria fosse verdadeira, mas eu sei que nunca o fariam. Minha família é grudada, é mais que unida, é colada, é dependente de mim. E me aterroriza mais a ideia de deixá-los sozinhos do que a ideia da própria partida em si.
Não sei porque estou escrevendo isso... Espero sinceramente que esteja errada. Tenho muita vontade de viver, tanto quanto tinha de morrer uns anos atrás. Queria muito amar e ser correspondida uma vez, só pra ver como é. Queria ajudar mais as pessoas, queria mesmo, e vou tentar. Podemos controlar tudo, tudo, e eu sei que posso ter tudo que julgam impossível. Só não podemos controlar as pessoas, e justamente elas é que definem nossa passagem pela vida.
É que sabe... a violência está tão grande, a água está tão rara e o governo machuca. O governo machuca de uma forma que chega a ser tortura física. É como se todos os seus sonhos fossem devorados por eles, como se jamais permitissem que você alcançasse algo, e quando pensa que está alcançando, eles te jogam da escada. Eles deveriam ajudar, mas o poder monetário os cega a ponto de não enxergarem ninguém.
Ainda bem que acredito na justiça divina.
De qualquer forma, o universo sempre foi maravilhoso pra mim, e justamente essa realização frequente de sonhos me impulsiona a acreditar que não tenho tanto tempo...
Quanto mais rápido se aprende, mais rápido se vai. Mas eu ainda tenho alguma missão com meu pai, que não sei se será cumprida em vida ou só quando ele me perder. Ele não tem a menor ideia e a alma dele me parece jovem demais pra entender. Creio que em outras vidas, ele possa ter sido meu filho. Ele não busca nenhum tipo de evolução, nenhum. E isso o atrasa, e eu sei, mas só saber não adianta, eu não consigo mudá-lo e já faz muito, mas muito tempo que desisti dele.
Enfim, de qualquer forma, estou à disposição divina, e mesmo sabendo que o aprendizado pode me tirar mais cedo dessa aventura tão linda chamada vida, insisto na evolução espiritual.
Amém.
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