A música pop transformou-se na única coisa que ainda me dá esperança, que ainda me anima, que me encoraja. É sério. Ela deixou de ser um sonho e passou a ser a única forma de vida. Parece que a arte, apesar de ser o emprego mais abstrato, tornou-se meu único plano de futuro. Um futuro bom, feliz, próspero e maravilhoso.
Em contrapartida, eu, criada na bolha, estou terrivelmente assustada e morrendo de medo da exposição. Eu quero, ao mesmo tempo em que temo.
Por isso, estou tentando ser o mais transparente possível. Minha estratégia é seguir a estrada menos viajada. É não montar personagens. É expor a minha realidade, a minha forma caseira de fazer as coisas, o meu esforço e a minha personalidade. Minhas músicas falam da minha sexualidade, meus traumas, minha insegurança e meu lado comercial. Estou sendo sincera e considero essa a melhor estratégia, ao mesmo tempo em que pode atrair pessoas que se sintam da mesma forma, vulneráveis como eu, sonhadores.
Num cálculo parcial do que pode me expor ao ridículo, eu enxergo apenas a falta de técnica. E isso não é necessariamente um problema, visto que as pessoas se identificam muito mais com a imagem de um artista do que com a arte propriamente dita. Andei distribuindo algumas músicas em grupos de whatsapp, fãs de Anitta e fãs de Britney. O feedback foi completamente positivo, a ponto de uma pessoa me enviar composições e pedir pra ouvir mais canções, dizendo "ainda vou num show teu". Espero que ele esteja certo. Palavras têm poder.
Trabalhei bem nas músicas, agora preciso trabalhar melhor na imagem. Natural, sem ser sem graça. Elegante, mas jovial. Leve, ao mesmo tempo marcante. Uma mistura de Taylor Swift com Miley Cyrus.
Pode ser que eu eu estoure agora. O mercado pop está claramente aberto, e depois do fenômeno Anitta, as gravadoras se mostram desesperadas por artistas do mesmo nicho. Até o momento, não apareceu ninguém que pudesse competir diretamente com ela. Ela domina sozinha. E eu sei que na hora que uma concorrente surgir, ela será ainda mais aclamada. É difícil.
Sei também que tenho competência para tanto, visto que nós duas somos extremamente iguais no modo de pensar, sonhar e trabalhar.
E justamente por me identificar demais com ela, é que estou seguindo o caminho contrário. Duas artistas idênticas não convivem, não tem graça, vide Madonna e Cindy Lauper.
Pode ser que eu não estoure ainda. Pode ser que eu precise de mais técnica, de mais tino comercial, de mais novidades pra cativar algum público, pra convencer as gravadoras e a mim mesma de que estou pronta. Mas isso só Deus e o tempo poderão dizer.
De qualquer forma, estou preparada pra seguir em frente, sempre. Percebo minha evolução e tenho orgulho de trabalhar pra que ela aconteça. Um dia minha estrela brilha.
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