quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Meu lugar

Minha casa tem uma energia tão baixa que eu senti minha pressão caindo assim que entrei.
É meu pai. Ele carrega ódio, ele faz questão de dizer que odeia alguém, que alimenta esse tipo de sentimento.
Eu queria que ele fosse nobre. Que fosse homem. Que lutasse por uma carreira, pelos sonhos dele, por nós.
Queria que ele fosse um exemplo e me desse presentes, como quando meu irmão nasceu e ele andou horas atrás de um boneco que eu queria só pra mostrar que eu também era amada.
Às vezes qualquer lugar é melhor que minha casa. Eu me sinto desrespeitada aqui, ninguém acredita em mim, debocham 24 horas, me dizem o que fazer e reclamam que eu sou chata pra comer.
Eu me sinto amada na casa de outras pessoas, quando me dão parabéns e mexem no meu cabelo. Aqui não, aqui não é meu lugar.
A triste verdade sobre minha família é que eu não gostaria de nenhum deles se os conhecesse por aí. Mas são minha família e o desafio é ver o melhor lado que cada um esconde e eu consigo ver, pois me esforço pra entendê-los, mas eles jamais se esforçaram por mim. Eles me deram uma personagem que eu sou obrigada a encarnar todos os dias e que só se desmancha a noite, sozinha em meu quarto, ou longe deles.

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