quarta-feira, 22 de abril de 2015

Souls in a ghosttown

Não estou muito bem hoje.
Tenho andado caminhos tortos e parece que o universo está tentando me dizer algo que não consigo ouvir.
Ontem, pouco antes de dormir, assisti a um desses vídeos fortes que a internet proporciona. Uma menina africana de oito anos dando banho nos seus dois irmãos menores, que de tão desnutridos não tinham forças para sentar. Os pequenos ficavam jogados na terra, enquanto a menina andava um quilômetro atrás de uma bacia de água para lavar os dois.
Os cinegrafistas deram um pacote de bolachas para ela, que mesmo faminta, serviu primeiro os irmãos e só depois parou para comer e descansar um pouco.
São crianças, e estavam largadas como bichos, sem nada que pudesse sustentá-los física ou emocionalmente. E ainda sim, eram boas e puras, dependentes apenas do amor umas das outras.
Logo abaixo desse vídeo, havia outro compartilhado por outra pessoa que não tem ligação nenhuma com o primeiro.
Tratava-se do depoimento de uma jovem sobre um áudio que ela recebeu de uma amiga, que sonhara com a volta de Jesus. Ela, muito impressionada, foi até a igreja pedir um sinal e ouviu três badaladas. Obviamente o vídeo não tem o mesmo apelo emocional do primeiro, mas a jovem está visivelmente transtornada. Seja real ou só mais alguém buscando atenção na internet, é passível de reflexão. Pelo menos foi a mim, que assisti aos dois vídeos em sequência.
Ao dormir, sonhei que eu estava cursando uma faculdade sobre maçanetas, onde a professora pedia que cada aluno escolhesse sua favorita. Eu segurava uma maçaneta enorme num formato de castiçal com velas apagadas. Só era possível instalá-la na porta se as velas estivessem acesas e eu ainda não tinha conhecimento para acendê-las.
Ainda no sonho, voltei para casa triste e, ao ligar o computador, deparei-me com um perfil fake repleto de fotos minhas, nua. Acordei.
Pensei que talvez estivesse gastando tempo demais na internet, onde o ódio humano rola solto e ninguém é permitido de ter uma opinião. Nas últimas semanas, bastou que eu comentasse qualquer coisa ou que apenas abrisse os comentários de uma notícia qualquer ou mesmo uma página promovendo a música de uma criança funkeira, para ver o ódio, o mais puro tipo de ódio escorrendo entre as palavras.
Todos se odeiam. Todos pregam o ódio e a intolerância.
Saí de casa chateada. Pensando em tentar recuperar meu emprego, por medo do que vem à frente. Subindo as escadas rolantes do metrô, deparei-me com uma discussão idiota logo pela manhã. Um homem com uma mala enorme tentava passar a catraca, gritando com quem estava na frente, com medo de derrubar as pessoas que estavam logo atrás subindo. Uma mulher, por ele ter gritado, pôs-se a gritar também, em tom de xenofobia. Ordenando que ele voltasse para a terra dele, na Bahia. Foi uma discussão fútil, resultado da intolerância absurda que vivemos atualmente.
Não muito atrás, há algumas semanas, testemunhei uma briga no ônibus lotado, porque alguém havia esbarrado em alguém.
E assim caminha a humanidade... No mundo real ou virtual.
Às vezes parece que os bons se foram todos, ou encontraram algum lugar que eu não consigo encontrar. Tenho pensado seriamente em ir até a igreja tentar entender alguma coisa, e sempre que algo me impulsiona para trás, outro me impulsiona para frente.
Tenho visto essas horas iguais e lido sobre o portal 11:11, que sinceramente não entendi nada. Um autor esteve aqui na semana passada, jovem, sobrevivente de um acidente gravíssimo, relatando que Deus lhe deu uma segunda chance, que Jesus vai voltar... Novamente, tem algo tentando me dizer alguma coisa.
A minha data de nascimento, segundo a cabala, me define como “gênio da humanidade”, com uma missão de zelar pelos seres humanos, e justamente por acreditar nisso, tenho medo de me misturar a alguma religião que não aceite o ser humano como ele é. Ao mesmo tempo em que tenho medo da falta de humanidade existente nas pessoas, cada vez se propagando mais, como um vírus.

Medo é tudo que me resta agora, e essa ideia de que preciso ouvir o que me está sendo dito. Preciso agir, ir além do pensamento. Só não sei como. Estou numa cidade fantasma.

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