terça-feira, 17 de março de 2015

Work bitch

Se tem algo que me irrita é ser vista de cima a baixo como uma sem noção procurando fama. Principalmente quando esse tipo de olhar e comentário vêm de alguém que se diz amigo.
Se eu quisesse apenas aparecer, tiraria a roupa fora de qualquer contexto.
Mas não. E me incomoda essa falta de percepção das pessoas. Eu me dedico pra caralho pra fazer algo foda. Eu monto backdrop, instrumental, figurino, aprendo letra, coreografia e tudo que precisar num curto espaço de tempo. Me dá uma semana e eu eu passo sem dormir, ensaiando. Me dá dois dias e eu falto no trabalho se for preciso. Eu levo a sério! Eu levo a sério o respeito que tenho por qualquer pessoa que se disponha a me ler, ouvir, assistir. E fico indignada quando ainda insistem em dizer que eu só quero aparecer.
É muito mais do que isso. Sempre foi. Não é nem um pouco fácil subir num palco sabendo suas limitações. Eu mesma me espanto com a minha coragem. Cada apresentação é um ato de superação. A exposição é agridoce. E eu sou tímida, quieta, reservada na minha vida caseira.
O que me deixou bastante incomodada também no caso da apresentação que fiz para o fã-clube da Madonna foi não ter ganhado um mínimo "obrigado".
Em duas semanas me deram uma ideia seguida de outra ideia e mais ideias, jogando cargas e cargas em cima de mim. Começou com uma música, que virou duas, que virou performance com dançarinos, que virou performance com dançarinos e violinista, que virou história com figurinos e reconstituição de Brit Awards.
Eu tive que dividir meu tempo entre trabalhar, procurar figurino, ensaiar uma coreografia absurda pra poucos dias, encontrar a minha própria versão da música e montar backdrops.
Gastei mais de 200 reais e na verdade, não me importo com isso. O que me importa é a falta de cuidado e o amadorismo dos outros. É não terem checado se o espaço comportava esse tipo de evento. Se o som aguentaria voz e instrumental. Se as luzes funcionavam. Foi o atraso e o capricho. Eu topei todas as ideias que me deram e me matei pra executar todas com o máximo de cuidado possível, pra no final, a ambição desfundada de alguém transformar tudo em mediocridade. O capricho de apagar as luzes fez com que as pessoas não me vissem e nem ouvissem devido a péssima qualidade do som.
Mesmo assim, eu consegui. E esse mérito, preciso me dar. Eu fiz aquele povo se divertir, me aplaudir e até mesmo quem não gostou, ao menos deu risada.
O fã-clube além de ter me atrapalhado, ainda me deixou sozinha posteriormente na boate, sem a instrumental. Onde novamente, eu cruzei meus próprios limites.
Não divulgaram meu nome na página deles, como prometido. Não me deram um brinde sequer. Não postaram uma foto e ignoraram completamente as minhas duas apresentações.
Foi ofensivo e eu me senti usada.
De qualquer forma, valeu a pena. Sempre vale a pena quando se faz com amor e dedicação. Eu costumo esperar o pior, vaias, tomates e risadas, mas não teve nada disso. Ao contrário. E o mérito é meu sim, e isso ninguém vai me tirar.


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