sexta-feira, 20 de março de 2015

Nobody knows me

Tem vezes que eu queria ser qualquer pessoa que não fosse eu. Queria não gostar do que gosto, nem sonhar o que sonho, nem amar quem amo.
Queria ser uma menina bem normal, que veste roupa florida, faz depilação em salão e namora o mesmo cara há três anos. Queria ser mais loira, mais magra e mais doce.
Eu queria que meus amigos tivessem orgulho de mim e não que fizessem piada atrás de piada das coisas mais importantes da minha vida.
Queria descansar de mim, da minha imagem toda errada, da aprovação absurda que busco no mundo.
Descansar do cansaço que me dá flertar com meninos que estão tramando pra mim, cantar pra veados que estão cagando pra mim e me chamando de rainha diva com a maior falsidade venenosa que uma bicha má pode ter. Descansar do barulho que meu pai faz em casa e dos comentários maldosos que estranhos me mandam na internet com o único objetivo de me machucar, apesar de não me atingirem tanto quanto antes. Descansar da hipocrisia humana, da maldade que as pessoas amam cultivar em si mesmas. Dos homofóbicos, dos racistas, e dos homossexuais fãs de divas pop que, apesar de serem meu tipo favorito de gente, conseguem me desgastar com tanta reclamação sobre as pessoas que eles próprios admiram.
Que saco! Que saco tudo! Queria trocar todas as pessoas da minha vida, meu emprego, minha cidade, começar tudo de novo. Tocar violão e ser cantora de MPB pq só elas "merecem respeito".
Ou não, ser só alguém medíocre com um emprego medíocre e sonhos tão medíocres quanto os sonhos dos que me condenam.

terça-feira, 17 de março de 2015

Work bitch

Se tem algo que me irrita é ser vista de cima a baixo como uma sem noção procurando fama. Principalmente quando esse tipo de olhar e comentário vêm de alguém que se diz amigo.
Se eu quisesse apenas aparecer, tiraria a roupa fora de qualquer contexto.
Mas não. E me incomoda essa falta de percepção das pessoas. Eu me dedico pra caralho pra fazer algo foda. Eu monto backdrop, instrumental, figurino, aprendo letra, coreografia e tudo que precisar num curto espaço de tempo. Me dá uma semana e eu eu passo sem dormir, ensaiando. Me dá dois dias e eu falto no trabalho se for preciso. Eu levo a sério! Eu levo a sério o respeito que tenho por qualquer pessoa que se disponha a me ler, ouvir, assistir. E fico indignada quando ainda insistem em dizer que eu só quero aparecer.
É muito mais do que isso. Sempre foi. Não é nem um pouco fácil subir num palco sabendo suas limitações. Eu mesma me espanto com a minha coragem. Cada apresentação é um ato de superação. A exposição é agridoce. E eu sou tímida, quieta, reservada na minha vida caseira.
O que me deixou bastante incomodada também no caso da apresentação que fiz para o fã-clube da Madonna foi não ter ganhado um mínimo "obrigado".
Em duas semanas me deram uma ideia seguida de outra ideia e mais ideias, jogando cargas e cargas em cima de mim. Começou com uma música, que virou duas, que virou performance com dançarinos, que virou performance com dançarinos e violinista, que virou história com figurinos e reconstituição de Brit Awards.
Eu tive que dividir meu tempo entre trabalhar, procurar figurino, ensaiar uma coreografia absurda pra poucos dias, encontrar a minha própria versão da música e montar backdrops.
Gastei mais de 200 reais e na verdade, não me importo com isso. O que me importa é a falta de cuidado e o amadorismo dos outros. É não terem checado se o espaço comportava esse tipo de evento. Se o som aguentaria voz e instrumental. Se as luzes funcionavam. Foi o atraso e o capricho. Eu topei todas as ideias que me deram e me matei pra executar todas com o máximo de cuidado possível, pra no final, a ambição desfundada de alguém transformar tudo em mediocridade. O capricho de apagar as luzes fez com que as pessoas não me vissem e nem ouvissem devido a péssima qualidade do som.
Mesmo assim, eu consegui. E esse mérito, preciso me dar. Eu fiz aquele povo se divertir, me aplaudir e até mesmo quem não gostou, ao menos deu risada.
O fã-clube além de ter me atrapalhado, ainda me deixou sozinha posteriormente na boate, sem a instrumental. Onde novamente, eu cruzei meus próprios limites.
Não divulgaram meu nome na página deles, como prometido. Não me deram um brinde sequer. Não postaram uma foto e ignoraram completamente as minhas duas apresentações.
Foi ofensivo e eu me senti usada.
De qualquer forma, valeu a pena. Sempre vale a pena quando se faz com amor e dedicação. Eu costumo esperar o pior, vaias, tomates e risadas, mas não teve nada disso. Ao contrário. E o mérito é meu sim, e isso ninguém vai me tirar.


domingo, 15 de março de 2015

Tudo o que tiver que ser, será

Tão cansada que mal posso escrever.
Aconteceu mesmo, Eu cantei ao vivo. Cantei Madonna pros fãs da Madonna, depois cantei Madonna de novo numa boate acostumada a música ao vivo de qualidade.
Se eu dissesse que não pensei em desistir, mentiria. Pensei sim, ambas as vezes. Não estava nem um pouco segura, pelo contrário, tinha que me preocupar com coisas além da minha própria capacidade.
Tudo que poderiam fazer para dificultar, foi feito, Atrasos, falta de estrutura, e até uma falta de iluminação caprichosa surgiu pra me atrapalhar.
Eu entrei em ambos os palcos tendo ensaiado apenas uma vez em cada um.
A preocupação com a voz era iminente, visto que isso era algo que eu nunca tinha feito e que necessita preparo. Respiração, aquecimento, e eu em cinco minutos, tentava fazer tudo o que eu lembrava de vídeos de internet. Minha garganta secou de forma que eu mal conseguia respirar. O som baixo e abafado me impedia de ouvir tanto a instrumental quanto a mim mesma.
A platéia era difícil, mas eu os entendia. Se você promete uma puta performance, você tem que dar uma puta performance. Se eles entraram e viram telão, bailarinos, figurino e microfone, esperavam grandiosidade. Eu mesma me pus à prova quando aceitei que tudo isso fosse feito.
Mas estou satisfeita comigo. Eu dei a cara a tapa mesmo, e entreguei tudo de mim. No meio da apresentação, consegui envolver a plateia, que animada, cantava comigo. Aplaudiram e foram receptivos. Tirei muitas fotos e recebi muitos elogios. Pra uma primeira vez, foi mais positivo do que negativo.
Na balada, queria sair correndo. A estrutura era perfeita sim, mas eu estava claramente abaixo daquilo. Senti ser a maior das amadoras.
Entretanto, subi com a cara e coragem de novo. Disse meu nome e disse o que vim fazer, e cantei. Cantei, dancei, despiroquei. Senti mais apoio do que crítica, principalmente na música mais agitada. Um menino pediu pra tirar foto comigo depois dizendo que eu fui muito bem, então... Se cativei pelo menos um, tudo valeu a pena.
Começos são sempre difíceis, mas talvez a persistência nos ponha nos eixos corretos.
Se eu disser que sei o que estou fazendo... Não tenho a menor ideia. Eu nado conforme a maré. Descobrindo aos poucos o que gosto, o que quero, o que preciso melhorar e por que faço o que faço.

segunda-feira, 9 de março de 2015

I'm not Madonna

Madonna is a pain in my ass.
Right now I'm going to work, writing on the way. Couldn't even wait to get there, cause I got A LOT to do on that place.
And I got A LOT to work on myself.
Madonna is a pain in everybody's asses. People want to transform every pop singer into a Madonna. And ironicly, right now, I've got her face on my shirt. Cause I was always the best student.
Since I started following her steps, it seriously feels like I've been doing classes. She's got method. I read every single biography, watched every single interview, television performances, concerts, movies, kabbalah books. She's got a lot to teach and I was always interested in learning.
But right now, I'm on a moment in my life where I just want to be me, to find the performer inside me. But her fans invited me to sing her new single on the official release of her album. And of course, I would never reject an oppotunity like that.
So they hired dancers. Professional fucking incredible dancers. And I had one rehearsel to learn their steps and do it exactly like them.
I barely slept last night. I look like I went to a fucking war on a monday morning. And somehow I did. Had a fight with myself to find me inside of her, or to find her inside of me. To sing her goddam song without trying to be her. Even though their fans are seriously hoping I put on my best Madonna mask.
I've got four days to find the song inside of me, to understand my personality and adapt it to their steps and her moves, without trying to sound or look like her. It's a huge challenge. And I'm going crazy about it. Excited, not exactly afraid, but worried. I'm worried people notice I'm far behind the dancers and far behind a good vocal performance. I'm afraid I don't have star quality, something that catches the audience, "cruel ambition with no talent".