"Navegue em direção aos seus medos", dizia a placa que vi na rua hoje.
Mais ou menos, eu diria. Nado mais ou menos, conheço meus medos mais ou menos.
Sou alguém bem mais ou menos.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Souls in a ghosttown
Não estou muito bem hoje.
Tenho andado caminhos tortos e parece que o universo está
tentando me dizer algo que não consigo ouvir.
Ontem, pouco antes de dormir, assisti a um desses vídeos
fortes que a internet proporciona. Uma menina africana de oito anos dando banho
nos seus dois irmãos menores, que de tão desnutridos não tinham forças para
sentar. Os pequenos ficavam jogados na terra, enquanto a menina andava um
quilômetro atrás de uma bacia de água para lavar os dois.
Os cinegrafistas deram um pacote de bolachas para ela,
que mesmo faminta, serviu primeiro os irmãos e só depois parou para comer e
descansar um pouco.
São crianças, e estavam largadas como bichos, sem nada
que pudesse sustentá-los física ou emocionalmente. E ainda sim, eram boas e
puras, dependentes apenas do amor umas das outras.
Logo abaixo desse vídeo, havia outro compartilhado por
outra pessoa que não tem ligação nenhuma com o primeiro.
Tratava-se do depoimento de uma jovem sobre um áudio
que ela recebeu de uma amiga, que sonhara com a volta de Jesus. Ela, muito
impressionada, foi até a igreja pedir um sinal e ouviu três badaladas.
Obviamente o vídeo não tem o mesmo apelo emocional do primeiro, mas a jovem está
visivelmente transtornada. Seja real ou só mais alguém buscando atenção na
internet, é passível de reflexão. Pelo menos foi a mim, que assisti aos dois
vídeos em sequência.
Ao dormir, sonhei que eu estava cursando uma faculdade
sobre maçanetas, onde a professora pedia que cada aluno escolhesse sua favorita.
Eu segurava uma maçaneta enorme num formato de castiçal com velas apagadas. Só
era possível instalá-la na porta se as velas estivessem acesas e eu ainda não
tinha conhecimento para acendê-las.
Ainda no sonho, voltei para casa triste e, ao ligar o
computador, deparei-me com um perfil fake
repleto de fotos minhas, nua. Acordei.
Pensei que talvez estivesse gastando tempo demais na
internet, onde o ódio humano rola solto e ninguém é permitido de ter uma opinião.
Nas últimas semanas, bastou que eu comentasse qualquer coisa ou que apenas abrisse
os comentários de uma notícia qualquer ou mesmo uma página promovendo a música de
uma criança funkeira, para ver o ódio, o mais puro tipo de ódio escorrendo
entre as palavras.
Todos se odeiam. Todos pregam o ódio e a intolerância.
Saí de casa chateada. Pensando em tentar recuperar meu
emprego, por medo do que vem à frente. Subindo as escadas rolantes do metrô,
deparei-me com uma discussão idiota logo pela manhã. Um homem com uma mala
enorme tentava passar a catraca, gritando com quem estava na frente, com medo
de derrubar as pessoas que estavam logo atrás subindo. Uma mulher, por ele ter
gritado, pôs-se a gritar também, em tom de xenofobia. Ordenando que ele
voltasse para a terra dele, na Bahia. Foi uma discussão fútil, resultado da
intolerância absurda que vivemos atualmente.
Não muito atrás, há algumas semanas, testemunhei uma
briga no ônibus lotado, porque alguém havia esbarrado em alguém.
E assim caminha a humanidade... No mundo real ou virtual.
Às vezes parece que os bons se foram todos, ou
encontraram algum lugar que eu não consigo encontrar. Tenho pensado seriamente
em ir até a igreja tentar entender alguma coisa, e sempre que algo me
impulsiona para trás, outro me impulsiona para frente.
Tenho visto essas horas iguais e lido sobre o portal
11:11, que sinceramente não entendi nada. Um autor esteve aqui na semana
passada, jovem, sobrevivente de um acidente gravíssimo, relatando que Deus lhe
deu uma segunda chance, que Jesus vai voltar... Novamente, tem algo tentando me
dizer alguma coisa.
A minha data de nascimento, segundo a cabala, me define
como “gênio da humanidade”, com uma missão de zelar pelos seres humanos, e
justamente por acreditar nisso, tenho medo de me misturar a alguma religião que
não aceite o ser humano como ele é. Ao mesmo tempo em que tenho medo da falta
de humanidade existente nas pessoas, cada vez se propagando mais, como um vírus.
Medo é tudo que me resta agora, e essa ideia de que
preciso ouvir o que me está sendo dito. Preciso agir, ir além do pensamento. Só
não sei como. Estou numa cidade fantasma.
domingo, 19 de abril de 2015
É cedo ou tarde demais
Sometimes I sit staring at the window...
Tenho pensado muito. E isso nunca faz bem.
Tenho procurado um novo emprego pois me demiti do meu. Tenho gasto tempo com dezenas de aplicativos de relacionamento...
Mas a música não sai de mim, ela nunca sai de mim.
Comecei aulas de canto e dança. Isso me anima, adoro aprender, mas again, aquela sensação de "a porra ta ficando séria" me assombra.
Tenho uma apresentação marcada pra dia 22 de maio.
Eu não sei se gosto de me apresentar em balada, na verdade. Ainda não tive tempo pra descobrir. É uma adrenalina diferente, dá medo de verdade. Quando eu fazia sozinha, eu sabia onde estava pisando e quanto tempo eu tinha pra preparar tudo. Com outras pessoas envolvidas, é tudo muito diferente. E o publico de balada é tão diferente de mim. Se eu viro cinco noites por ano é muito. Eu não tenho a malícia da noite, mas me jogo nesse jogo controverso. Eu me coloco lá e me testo: "será que aguenta um palco? E que tal um palco maior? E que tal um público mais difícil? Can you handle it?"
I have a cage, it's called the stage.
O que pesa no meu cérebro é a fama. A que eu sempre busquei, busco e quero. Mas quando eu começo a sentir que realmente pode chegar, me assusta.
Eu me pergunto se sobreviveria ao lado cruel desse mundo. Gosto de ficar em casa e dormir todas as noites na minha cama quentinha. Comer sem me preocupar com estética e passar tardes de sábado com a minha mãe. Sempre fui a filha querida, superprotegida. E justamente porque conheci os dois lados de ser tão amada, entendo que tudo na vida tem um preço.
Tenho medo do lado obscuro e solitário que a fama pode trazer. Me pergunto se é cedo ou tarde demais, visto que não existe outra coisa que eu saiba fazer e que me desafie tanto. Visto que eu não enxergue outra solução de plenitude financeira.
Não sou uma boa designer e não penso que poderia ser. Não sou criativa com fontes, cores e texturas, pois não tenho muito interesse em ser. Não tenho um futuro promissor no quesito "relacionamento".
Às vezes parece que se eu abandonar o caminho que sigo há 10 anos, não existe outro caminho.
Talvez qualquer caminho me leve à solidão. A fama e o vazio juvenil. O anonimato e a solidão pré-morte.
Talvez com dinheiro, eu possa ajudar mais pessoas e dar um significado à minha vida.
Talvez eu deixe nas mãos de Deus e ouça o que Ele disser ao meu coração.
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