quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Meu lugar

Minha casa tem uma energia tão baixa que eu senti minha pressão caindo assim que entrei.
É meu pai. Ele carrega ódio, ele faz questão de dizer que odeia alguém, que alimenta esse tipo de sentimento.
Eu queria que ele fosse nobre. Que fosse homem. Que lutasse por uma carreira, pelos sonhos dele, por nós.
Queria que ele fosse um exemplo e me desse presentes, como quando meu irmão nasceu e ele andou horas atrás de um boneco que eu queria só pra mostrar que eu também era amada.
Às vezes qualquer lugar é melhor que minha casa. Eu me sinto desrespeitada aqui, ninguém acredita em mim, debocham 24 horas, me dizem o que fazer e reclamam que eu sou chata pra comer.
Eu me sinto amada na casa de outras pessoas, quando me dão parabéns e mexem no meu cabelo. Aqui não, aqui não é meu lugar.
A triste verdade sobre minha família é que eu não gostaria de nenhum deles se os conhecesse por aí. Mas são minha família e o desafio é ver o melhor lado que cada um esconde e eu consigo ver, pois me esforço pra entendê-los, mas eles jamais se esforçaram por mim. Eles me deram uma personagem que eu sou obrigada a encarnar todos os dias e que só se desmancha a noite, sozinha em meu quarto, ou longe deles.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Talvez

Talvez a minha maior obsessão pela fama, venha da enorme vontade que eu tenho de ajudar meus pais. Eu jamais poderei criar uma própria familia, marido e filhos, se antes não resolver a vida dos meus pais. Eu me sinto responsável por eles. E minha mãe está agora mesmo chateada, porque queria me levar pra passear enquanto estou de férias, mas não tem dinheiro. Isso me parte o coração. Desde criança, isso me parte o coração. Meu pai não. Meu pai me pede dinheiro o tempo inteiro, e passa mais da metade do tempo vendo bobagens na internet. Acho que em outra vida ele foi meu filho, e eu devo tê-lo mimado demais.
Eu poderia escolher qualquer carreira, mas desde cedo, percebi que o único modo de ter dinheiro de verdade, é trabalhando com entretenimento, é estando na TV.
Não pude estudar teatro, dança, canto ou instrumentos. Nunca tivemos dinheiro pra isso. Sempre havia algo mais importante pra comprar ou pagar. Meus pais sempre acharam que fosse um capricho meu, mas jamais, era tudo um grande plano de menina. Estudar pra estar na TV, e assim eu teria dinheiro para os meus pais, amor superficial do público, e a minha sonhada liberdade de escolha. Eu poderia trabalhar com o que gosto e então pensar em constituir minha própria familia.
Essa ideia nunca saiu da minha cabeça e a cada dia é mais fixa. O tempo passou, eu cresci e percebi q estava completamente certa. O Brasil acontece dentro da TV.