quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

And if it wasn't for the music, I don't know what I'd do

Estou cansada. Acordei cansada já. To de saco cheio de reclamar da falta de água, do preço da passagem, do desemprego da minha mãe, da exploração do meu pai, da porra do dólar e etc etc etc... Que saco! To cansada de mim. Não era com isso que eu deveria me preocupar. Era com um plano de carreira, com um coração partido, com viagens e amigos, bebedeiras, nova mensagem Tinder. Que porra fizeram com a porra do Brasil justamente agora que eu estou nos meus "melhores anos"? Gente chata cortando meu barato.
A música pop transformou-se na única coisa que ainda me dá esperança, que ainda me anima, que me encoraja. É sério. Ela deixou de ser um sonho e passou a ser a única forma de vida. Parece que a arte, apesar de ser o emprego mais abstrato, tornou-se meu único plano de futuro. Um futuro bom, feliz, próspero e maravilhoso.
Em contrapartida, eu, criada na bolha, estou terrivelmente assustada e morrendo de medo da exposição. Eu quero, ao mesmo tempo em que temo. 
Por isso, estou tentando ser o mais transparente possível. Minha estratégia é seguir a estrada menos viajada. É não montar personagens. É expor a minha realidade, a minha forma caseira de fazer as coisas, o meu esforço e a minha personalidade. Minhas músicas falam da minha sexualidade, meus traumas, minha insegurança e meu lado comercial. Estou sendo sincera e considero essa a melhor estratégia, ao mesmo tempo em que pode atrair pessoas que se sintam da mesma forma, vulneráveis como eu, sonhadores.
Num cálculo parcial do que pode me expor ao ridículo, eu enxergo apenas a falta de técnica. E isso não é necessariamente um problema, visto que as pessoas se identificam muito mais com a imagem de um artista do que com a arte propriamente dita. Andei distribuindo algumas músicas em grupos de whatsapp, fãs de Anitta e fãs de Britney. O feedback foi completamente positivo, a ponto de uma pessoa me enviar composições e pedir pra ouvir mais canções, dizendo "ainda vou num show teu". Espero que ele esteja certo. Palavras têm poder.
Trabalhei bem nas músicas, agora preciso trabalhar melhor na imagem. Natural, sem ser sem graça. Elegante, mas jovial. Leve, ao mesmo tempo marcante. Uma mistura de Taylor Swift com Miley Cyrus.
Pode ser que eu eu estoure agora. O mercado pop está claramente aberto, e depois do fenômeno Anitta, as gravadoras se mostram desesperadas por artistas do mesmo nicho. Até o momento, não apareceu ninguém que pudesse competir diretamente com ela. Ela domina sozinha. E eu sei que na hora que uma concorrente surgir, ela será ainda mais aclamada. É difícil.
Sei também que tenho competência para tanto, visto que nós duas somos extremamente iguais no modo de pensar, sonhar e trabalhar.
E justamente por me identificar demais com ela, é que estou seguindo o caminho contrário. Duas artistas idênticas não convivem, não tem graça, vide Madonna e Cindy Lauper.
Pode ser que eu não estoure ainda. Pode ser que eu precise de mais técnica, de mais tino comercial, de mais novidades pra cativar algum público, pra convencer as gravadoras e a mim mesma de que estou pronta. Mas isso só Deus e o tempo poderão dizer.
De qualquer forma, estou preparada pra seguir em frente, sempre. Percebo minha evolução e tenho orgulho de trabalhar pra que ela aconteça. Um dia minha estrela brilha.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Amém

Sempre tive essa sensação horrivelmente horrorosa de que morreria cedo. E sempre tive medo de registrar isso em escrita. Parece que quando registramos a coisa, os anjos leem, o universo absorve... Mas hoje, registro.
A gente não escolhe, afinal. Podemos ser bons enquanto estamos em Terra, tentar nos importar com as jornadas alheias. Porque eu acredito nessa ideia de que estamos mesmo conectados, todos, e que precisamos uns dos outros pra cumprir algum tipo de missão.
Queria que todas as pessoas a minha volta entendessem isso. Que soubessem manter a calma caso minha teoria fosse verdadeira, mas eu sei que nunca o fariam. Minha família é grudada, é mais que unida, é colada, é dependente de mim. E me aterroriza mais a ideia de deixá-los sozinhos do que a ideia da própria partida em si.
Não sei porque estou escrevendo isso... Espero sinceramente que esteja errada. Tenho muita vontade de viver, tanto quanto tinha de morrer uns anos atrás. Queria muito amar e ser correspondida uma vez, só pra ver como é. Queria ajudar mais as pessoas, queria mesmo, e vou tentar. Podemos controlar tudo, tudo, e eu sei que posso ter tudo que julgam impossível. Só não podemos controlar as pessoas, e justamente elas é que definem nossa passagem pela vida.
É que sabe... a violência está tão grande, a água está tão rara e o governo machuca. O governo machuca de uma forma que chega a ser tortura física. É como se todos os seus sonhos fossem devorados por eles, como se jamais permitissem que você alcançasse algo, e quando pensa que está alcançando, eles te jogam da escada. Eles deveriam ajudar, mas o poder monetário os cega a ponto de não enxergarem ninguém.
Ainda bem que acredito na justiça divina.
De qualquer forma, o universo sempre foi maravilhoso pra mim, e justamente essa realização frequente de sonhos me impulsiona a acreditar que não tenho tanto tempo...
Quanto mais rápido se aprende, mais rápido se vai. Mas eu ainda tenho alguma missão com meu pai, que não sei se será cumprida em vida ou só quando ele me perder. Ele não tem a menor ideia e a alma dele me parece jovem demais pra entender. Creio que em outras vidas, ele possa ter sido meu filho. Ele não busca nenhum tipo de evolução, nenhum. E isso o atrasa, e eu sei, mas só saber não adianta, eu não consigo mudá-lo e já faz muito, mas muito tempo que desisti dele.
Enfim, de qualquer forma, estou à disposição divina, e mesmo sabendo que o aprendizado pode me tirar mais cedo dessa aventura tão linda chamada vida, insisto na evolução espiritual.
Amém.