terça-feira, 19 de abril de 2016

Dear God, I wrote this letter to put my thoughts on paper

Querido Deus,
Não sei se onde Você mora já tem internet ilimitada para que Você possa receber preces online, mas imagino que sim. Aqui onde moro estão querendo cortar esse privilégio, mas não vem ao caso agora. Não vim orar por internet pela internet, relaxa.
Decidi escrever porque minha última semana foi intensa em percepções e não tenho com quem falar. Primeiro, descobri que super heróis são humanos e que artistas não necessariamente são compreensíveis aos demais. Não sei porque pensava isso, na verdade. Digo porque analisei as fotografias da moça que trabalha com meu artista favorito, e eram de uma sensibilidade absurda, considerei bastante admirável. Por isso, decidi entrar em contato com ela e falar-lhe da homenagem que pretendia fazer a ele. Ela não respondeu. No ato do constrangimento, confessou-me que havia lido sim, mas não respondeu por falta de tempo. Tudo bem. Poderia ter evitado que eu agisse da forma boboca como eu agi, e só eu sei o quanto pesou ter sido patética na frente do cara que mais admiro. Não é culpa dela entretanto, eu, na inocência, coloquei-me num local que não deveria estar e consequentemente numa situação palerma. Fui inconveniente, e pela inconveniência, pedi desculpas. Encontrei com ela novamente uns dias depois, e continuei a me humilhar enquanto ela lembrava a trauma-tragi-cômica situação que vivenciamos. Até que horas depois me ocorreu que não havia motivo para que eu me sentisse tão mal, tampouco para que ela fosse tão hostil. Então me ocorreu que talvez eu estivesse escondendo de mim mesma o verdadeiro motivo de tanto choro incontido. É porque me decepcionei. A verdade é que não achei assim tão legal ter assistido o show de um artista completamente bêbado. Por mais que seja o meu favorito, não é tão intocável quanto eu fiz ser durante tanto tempo. E acredito que este fora o maior motivo de meu baque. Eu paguei para vê-lo errar todas as letras e alegar que todos estavam ali apenas por sua popularidade na televisão. Ora, não tenho culpa se desconhecia sua carreira antes de ela ser nacional. Teria pago para assisti-lo quando ainda era um sujeito anônimo, pois o considero gênio, e acredite, entendo sua mensagem. Talvez algumas pessoas necessitem do status de incompreendido para sentir-se bem consigo mesmo.
Enfim, Deus, Você deve ter muito a fazer. Deixe-me acelerar e pular para outro assunto, dessa vez de seu interesse. Fui a um centro espírita, e devo admitir, senti-me em casa. Um grupo de pessoas que não chacota da vontade de ser bom. Ao contrário, deixa claro o quanto isso é importante. Pretendo ir mais vezes, aliviou bastante minha angústia.
A verdade é que eu tento levar numa boa, mas essa separação dos meus pais me deixa bastante preocupada. Financeiramente e emocionalmente falando. É confuso e complicado. Delicado, falta diálogo e compreensão. Se puder, Deus, cuide dos dois para que tenham bons pensamentos e boa vontade de mudar e melhorar como indivíduos.
O que aconteceu também foi ter me atacado o complexo de Kafka que me domina. A inferioridade que sinto perante minha melhor amiga. É horrível. Mas não tem como. E chegamos a um ponto em que ela não me entende mais. Só agora, depois de anos, eu notei que ela é uma pessoa completamente incapaz de ficar sozinha. E por isso, ela não compreende que eu possa ser feliz estando solteira, ou mesmo que minha mãe largou meu pai sem ter outro homem em vista. Ela pergunta como eu aguento e a minha vontade é devolver a pergunta. Como aguenta nunca ter liberdade? Ela pula de um relacionamento para outro e eu não me preocupo. Pois sei que é assim que é feliz. Sei que em algum momento talvez haja uma lição para ela aprender sobre isso. Assim como deve haver uma lição para mim. Creio que seja por isso que Você, Deus, fez sua vontade prevalente à nossa, e desconsiderou que eu fosse trabalhar no mesmo lugar que ela. Obrigada, confio que esteja protegendo nossa amizade e minha autoestima.
De resto, é mais o lance político. Já não me sinto mais tão alienada como antes, infelizmente. Sinto vergonha, só vergonha, de tudo, dos meus chefes, dos meus amigos, dos meus representantes, de mim mesma. Mas novamente, confio na Tua vontade e sei que deve ter algum plano excelente para nossa nação, mesmo que seja a longo prazo.
Ah Deus... Obrigada pelas percepções. Presto atenção na fotografia completa dos meus dias, na busca de tentar enxergar o que não enxergo quando olho só para o meu reflexo. Sigo tentando aprender, com a certeza de que Você não me julga por falar sozinha na rua e tentar conhecer pessoas novas entrando em sete bares diferentes na mesma noite.Não corri nenhum perigo, e sei que é porque Você estava comigo. Esteja sempre, por favor. Pretendo ter mais dessas aventuras sozinha. Se a humanidade soubesse o prazer de se distrair com sua própria presença e tentasse sentir o espaço que os rodeia, com certeza, perceberiam a grandeza de estarem vivos. Agradeço pela sensibilidade concedida a mim e prometo tentar aflorá-la.
Penso que já gastei muito do seu tempo, Deus. Pode voltar a seus afazeres.
Um grande beijo!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Reality

Fiz uma loucura hoje. Fui pra uma seletiva de um reality show. E agora que a euforia passou, eu me encontrei pensando que estou feliz.
É, to feliz. To num emprego que paga mal, mas que me permite ter liberdade pra faltar, não pegam no meu pé e eu trabalho só 4 horas por dia, o que é maravilhoso e compensa a pouca grana.
Pela primeira vez, estou dedicada a algo, um blog sobre novela que eu criei por acaso e senti repercussão. Saber que as pessoas se identificam com o que eu escrevo, comentam e compartilham, me dá um prazer enorme, me emociona de verdade. E o tema é simplesmente meu favorito. É fácil falar sobre.
Ter participado dessa maluquice, me fez conhecer um lado meu que francamente eu não gostei. Sim, fiquei confinada por algumas horas com câmeras ao meu redor e pessoas muito diferentes de mim. Só algumas horas e eu já entendi o quanto sou capaz de pirar no egocentrismo. Me coloquei numa bolha, assumi a vibe de estar ali pra me mostrar. E não adianta dizer que não sou assim, porque sou sim, mas não completamente.
Justamente agora que eu me convenci que não quero mais ser famosa, esse outro lado me jogou nessa arapuca doida. E eu vi! Eu vi como eu seria, eu senti. E odiei.
Eu to tranquila, eu to longe de confusão. E apesar do vazio que andava me assombrando há uns dias, eu consegui encontrar formas de preenchê-lo, meus métodos. Seja tomando rivotril pra dar uma pirada e dormir em paz, seja escrevendo cartas para estranhos e largando em lugares improváveis da cidade, seja me apegando em séries de TV, novelas, personagens, eu encontro meus modos de tapar o buraco. E quando olho em volta, eu tô bem!
É uma mania terrível tentar encontrar coisas que justifiquem minha infelicidade quando ela nem sequer existe. Estou bem, estou feliz e não quero voltar a buscar o que eu estava buscando.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Previously on Desperate Housewives

Eu menti. Pra mim mesma. O primeiro teste de "qual Desperate Housewife eu seria" deu Katherine. Ela nem tinha entrado na série ainda, então me recusei e fiz outra vez, manipulando minhas respostas.
Que surpresa descobrir que a Katherine é essa personagem que perde a cabeça por um amor não correspondido. Ainda não terminei a temporada, mas tudo indica que seu destino é a internação psiquiátrica.
Quão irônico é esse teste inocente que eu fiz?
A maioria das pessoas tem medo de ficar maluca. Eu não. Na verdade, desde a adolescência, sempre considerei a insanidade um presente. Tudo deixa de ser sua culpa. Você diz o que quiser, porque não precisa saber o que está dizendo. Passa a maior parte do tempo dopado e não pode trabalhar. O Estado é responsável por você. Cria amigos imaginários e modos completamente alternativos de encontrar felicidade.
Esse lance da felicidade tá complicado pra mim. É foda ser feliz. É foda focar nas coisas boas, ser grato por tudo que tem, ter esperança, se amar. E amar os outros, e acreditar e confiar que eles te amam de volta. É tão desgastante.
Ser maluco, ser sozinho, falar com seres imaginários, viver dentro de si mesmo é muito mais fácil. É muito mais leve. A sua própria morbidez, as suas próprias frustrações e a liberdade de não ter que ser normal, feliz. Não ter que levantar todos os dias acreditando que será um bom dia.
Eu já fui bem infeliz, e não sinto saudades daquela época. Eu gosto de estar bem, de reparar nas coisas ao meu redor, mas às vezes me canso. Às vezes eu sinto de novo aquela menina que adora a escuridão, que vê beleza e poesia na solidão. É como se eu andasse em círculos e vez ou outra parasse na melancolia. É como se eu só fosse real quando estou só, e muitas vezes, triste. Como se todas as vezes que eu sorrio para os meus amigos e bebo cerveja com eles, eu estivesse fingindo. É como se eu não pertencesse realmente a lugar nenhum, a nenhum deles.
A outra housewife, a que sabia que morreria jovem, também me causou impacto. E eu tenho medo da morte, tenho medo de como acontecerá, e não sei se é mesmo cedo pra ter esse medo.
Deus, como eu queria ser uma das quatro housewives, como eu queria não ter manipulado minhas respostas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Living in a nightmare

Eu sabia que podia mudar o cabelo quantas vezes quisesse, de nada adiantaria. Eu ainda me sentiria inferior.
Todos sabem o quanto é ruim a inveja, e quantas simpatias existem pra nos livrarmos do olho gordo alheio. Mas como tirar essa coisa de nós?
Eu sinto inveja, uma inveja horrível de gente que eu amo, e não sei como acabar com isso.
Quando achamos alguém igual a nós, mas que faz tudo melhor que nós, o que fazemos? Se a luz da pessoa é simplesmente mais forte que a sua, o que fazer?
Apagar-se?
No decorrer dos anos, eu fui me apagando. Bloqueei meu sonho de ser atriz. Bloqueei minha vida amorosa. Bloqueei minha vaidade, minha ambição. Como se não valesse a pena fazer o que já está sendo feito de maneira muito melhor.
Estou triste. Estou em outra fase de bloqueio. Acho que logo não dobrará nada de mim.
Vou arrumar um emprego, pois estou animada pra isso. É como eu me vejo agora. Alguém que precisa trabalhar.
Chega de brincar de artista, Ju.
Eu não consigo conviver com essa inveja, e já que ela é minha, eu que mate os meus próprios desejos.
Tenho amargura demais pra tentar entreter as pessoas. Não sou livre, nunca fui. E se essa é minha missão na Terra, então vou ter que voltar uma outra vez, porque nessa, eu não sou capaz.

domingo, 9 de agosto de 2015

Poesia

Há pouco me peguei pensando em sonhos, e logo, meu primeiro sonho.
Quando criança, criança mesmo, oito/nove anos, meu grande sonho era ser poetisa. Como eu amava aquilo. Muito antes de colecionar DVD's, mesmo antes de colecionar fotos da minha atriz favorita, eu colecionava poesias. Recortava todas dos livros de português quando acabava o ano e lia inúmeras vezes. Era meu maior prazer. Achava lindos os versos e os sentimentos das palavras, mesmo sendo tão pequena quase incapaz de entender o tamanho dos sentimentos reais.
Quando aprendi sobre a semana de arte moderna, tive certeza que estive nela. Sim! Na minha última vida. Eu era uma poetisa americana, famosa, muito boa. Estive no Brasil em decorrência do evento, e provavelmente, inventei que adoraria morar aqui. "Que na próxima vida, eu nasça nessa terra tão poética." Não me culpe, o Brasil de 1922, deveria parecer bastante inspirador.
O fato é que nasci aqui sim, e em nada me pareço com os brasileiros. Não gosto de samba, não gosto de arroz com feijão, não tenho suas músicas em meu iPod, apesar de considerar que existem algumas obras primas. Meu coração pode até ser daqui, mas minha alma é americana. E se em 1922 estive no Brasil, aos 22 dessa vida estive nos EUA. E como me senti em casa!
Cada dia me convenço mais de que é isso que preciso fazer: escrever. Resgatar a menina que via vida nos poemas, nas rimas. Resgatar a poetisa famosa que não tinha medo de expôr seus sentimentos.
Sinto que me afastei da escrita, da lua que me inspirava, da injustiça que punha em palavras. Sinto que verbalizei minhas velhas rimas.
Acho que é hora de voltar.

domingo, 21 de junho de 2015

Ordinary

Estou me aproximando dos 23 anos como quem se aproxima dos 80, ou até mesmo 90.
Eu sinto como se não tivesse mais nenhum sonho, não por te-los realizados, mas por deixá-los morrer.
É estranho, pois sempre fui o tipo de pessoa que incentiva os sonhos dos outros e tento dizer a eles que tudo é possível, pensar positivo, pensar pra frente.
De repente fui tomada por essa onda de cinismo e derrota, como se não houvesse mais nada que realmente me impulsione, me dê vontade.
Cada dia tenho menos vaidade, vontade, inspiração, coragem. Acho que estou virando os outros.
To desistindo de ser cantora, ou qualquer outra coisa ligada a isso. E é bem esquisito essa nova perspectiva que me cobro com relação aos meus próprios ídolos. Agora eles não podem mais ser inspiração artística. Agora eu não posso mais me imaginar num palco lotado cantando alguma música da JLo. Estou me vetando, me escondendo, me censurando.
To me transformando em alguém ordinária.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Expectations

Eu queria continuar a conversa, mas agora não dava mais. Não estava tentando convencer ninguém a viver com suas expectativas, todo mundo sabe que elas são karma.
Eu tenho meus lamentos, meu ridículo jeito de me ver como vítima e então me sentir culpada por ser ridícula, e a culpa sucumbi a vitimização.
Eliminar as expectativas da minha vida é elminiar as expectativas de mim mesma, que já são baixíssimas. Se eu não esperar por milagres, pelo que esperaria? E se não esperar por nada, para que viver? Com a motivação da vida se não há expectativa? Eu não consigo! Eu não consigo achar resposta!
Acreditar que estou aqui pra nada. Já acredito, e todos os dias tento me convencer justamente do contrário, de que há sim um propósito.
É horrível viver, eu odeio e não acho que seja merecedora nem do ar que respiro, tamanha a dramaticidade com que encaro o simples ato de respirar.
Eu só queria dinheiro, só dinheiro. Pra eu esfregar na cara dos meus pais e faze-los parar de choramingar dívidas todo santo dia há 22 anos. Eu não aguento mais isso.
Eu queria ter dinheiro pra poder dizer à merda do país que eu consegui, mesmo sendo um lugar em que vivemos pra sermos miseráveis.
Eu queria ter dinheiro pra não ficar sonhando com amor, príncipes ou casamentos de luxo.
Eu só quero dinheiro! Dinheiro! Deitar no meu sofá e esperar a morte de jeito confortável.