terça-feira, 29 de setembro de 2015

Previously on Desperate Housewives

Eu menti. Pra mim mesma. O primeiro teste de "qual Desperate Housewife eu seria" deu Katherine. Ela nem tinha entrado na série ainda, então me recusei e fiz outra vez, manipulando minhas respostas.
Que surpresa descobrir que a Katherine é essa personagem que perde a cabeça por um amor não correspondido. Ainda não terminei a temporada, mas tudo indica que seu destino é a internação psiquiátrica.
Quão irônico é esse teste inocente que eu fiz?
A maioria das pessoas tem medo de ficar maluca. Eu não. Na verdade, desde a adolescência, sempre considerei a insanidade um presente. Tudo deixa de ser sua culpa. Você diz o que quiser, porque não precisa saber o que está dizendo. Passa a maior parte do tempo dopado e não pode trabalhar. O Estado é responsável por você. Cria amigos imaginários e modos completamente alternativos de encontrar felicidade.
Esse lance da felicidade tá complicado pra mim. É foda ser feliz. É foda focar nas coisas boas, ser grato por tudo que tem, ter esperança, se amar. E amar os outros, e acreditar e confiar que eles te amam de volta. É tão desgastante.
Ser maluco, ser sozinho, falar com seres imaginários, viver dentro de si mesmo é muito mais fácil. É muito mais leve. A sua própria morbidez, as suas próprias frustrações e a liberdade de não ter que ser normal, feliz. Não ter que levantar todos os dias acreditando que será um bom dia.
Eu já fui bem infeliz, e não sinto saudades daquela época. Eu gosto de estar bem, de reparar nas coisas ao meu redor, mas às vezes me canso. Às vezes eu sinto de novo aquela menina que adora a escuridão, que vê beleza e poesia na solidão. É como se eu andasse em círculos e vez ou outra parasse na melancolia. É como se eu só fosse real quando estou só, e muitas vezes, triste. Como se todas as vezes que eu sorrio para os meus amigos e bebo cerveja com eles, eu estivesse fingindo. É como se eu não pertencesse realmente a lugar nenhum, a nenhum deles.
A outra housewife, a que sabia que morreria jovem, também me causou impacto. E eu tenho medo da morte, tenho medo de como acontecerá, e não sei se é mesmo cedo pra ter esse medo.
Deus, como eu queria ser uma das quatro housewives, como eu queria não ter manipulado minhas respostas.