segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Living in a nightmare

Eu sabia que podia mudar o cabelo quantas vezes quisesse, de nada adiantaria. Eu ainda me sentiria inferior.
Todos sabem o quanto é ruim a inveja, e quantas simpatias existem pra nos livrarmos do olho gordo alheio. Mas como tirar essa coisa de nós?
Eu sinto inveja, uma inveja horrível de gente que eu amo, e não sei como acabar com isso.
Quando achamos alguém igual a nós, mas que faz tudo melhor que nós, o que fazemos? Se a luz da pessoa é simplesmente mais forte que a sua, o que fazer?
Apagar-se?
No decorrer dos anos, eu fui me apagando. Bloqueei meu sonho de ser atriz. Bloqueei minha vida amorosa. Bloqueei minha vaidade, minha ambição. Como se não valesse a pena fazer o que já está sendo feito de maneira muito melhor.
Estou triste. Estou em outra fase de bloqueio. Acho que logo não dobrará nada de mim.
Vou arrumar um emprego, pois estou animada pra isso. É como eu me vejo agora. Alguém que precisa trabalhar.
Chega de brincar de artista, Ju.
Eu não consigo conviver com essa inveja, e já que ela é minha, eu que mate os meus próprios desejos.
Tenho amargura demais pra tentar entreter as pessoas. Não sou livre, nunca fui. E se essa é minha missão na Terra, então vou ter que voltar uma outra vez, porque nessa, eu não sou capaz.

domingo, 9 de agosto de 2015

Poesia

Há pouco me peguei pensando em sonhos, e logo, meu primeiro sonho.
Quando criança, criança mesmo, oito/nove anos, meu grande sonho era ser poetisa. Como eu amava aquilo. Muito antes de colecionar DVD's, mesmo antes de colecionar fotos da minha atriz favorita, eu colecionava poesias. Recortava todas dos livros de português quando acabava o ano e lia inúmeras vezes. Era meu maior prazer. Achava lindos os versos e os sentimentos das palavras, mesmo sendo tão pequena quase incapaz de entender o tamanho dos sentimentos reais.
Quando aprendi sobre a semana de arte moderna, tive certeza que estive nela. Sim! Na minha última vida. Eu era uma poetisa americana, famosa, muito boa. Estive no Brasil em decorrência do evento, e provavelmente, inventei que adoraria morar aqui. "Que na próxima vida, eu nasça nessa terra tão poética." Não me culpe, o Brasil de 1922, deveria parecer bastante inspirador.
O fato é que nasci aqui sim, e em nada me pareço com os brasileiros. Não gosto de samba, não gosto de arroz com feijão, não tenho suas músicas em meu iPod, apesar de considerar que existem algumas obras primas. Meu coração pode até ser daqui, mas minha alma é americana. E se em 1922 estive no Brasil, aos 22 dessa vida estive nos EUA. E como me senti em casa!
Cada dia me convenço mais de que é isso que preciso fazer: escrever. Resgatar a menina que via vida nos poemas, nas rimas. Resgatar a poetisa famosa que não tinha medo de expôr seus sentimentos.
Sinto que me afastei da escrita, da lua que me inspirava, da injustiça que punha em palavras. Sinto que verbalizei minhas velhas rimas.
Acho que é hora de voltar.